Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Viver em sociedade, enquanto portador de alguma deficiência, é um desafio árduo. Enquadram-se nessa realidade os autistas, os quais sofrem dificuldades quanto à sociabilidade, à aceitação profissional e até mesmo ao diagnóstico de sua condição. Assim, a situação dos autistas mostra-se uma questão a ser debatida, visando a devida garantia dos direitos naturais e do bem estar de grupo da sociedade.
Conforme o mesmo raciocínio, o filme “Temple Grandin” relata a história verídica de uma portadora do Transtorno do Espectro do Autismo, a qual estudou e desenvolveu, sozinha, uma técnica que revolucionou a indústria agropecuária dos Estados Unidos. Nesse sentido, a despeito de ser, atualmente, PHD em zootecnia, Temple sofreu muita resistência social quanto às suas habilidades, revelando como, muitas vezes, o fator que limita a vida dos autistas não é necessariamente sua deficiência, mas sim o preconceito da sociedade a que tende a subestimá-los.
Diante de tal contexto, outro fator determinante na vida do portador de autismo é a dificuldade de diagnosticar o problema. Nessa conjuntura, consoante estudos recentes da Universidade Mackinzie, nos Estados Unidos o diagnóstico do transtorno é feito, em média, antes dos três anos de idade, enquanto no Brasil essa média é entre cinco e seis anos de idade. Dessa forma, sem dúvidas, o diagnóstico tardio interfere negativamente no potencial de tratamento e controle do autismo, demonstrando uma preocupante falha por parte do sistema de saúde.
Com isso, é indispensável voltar as atenções às necessidades dos autistas e aos problemas que os cercam. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal ampliar os concursos públicos para médicos, destinando um maior número de vagas para a especialidade de psiquiatria, a afim de ampliar as possibilidades de atendimento aos autistas, independentemente da rede privada. Ao mesmo tempo, tal órgão deve promover campanhas midiáticas sobre o tema, com depoimentos de pscicólogos, psiquiatras e autistas para gerar uma proximidade entre a população e a realidade desse grupo.