Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2018
De acordo com o educador e filósofo Paulo Freire, é por meio das diferenças que se garante a igualdade. No entanto, aceitá-las e incluí-las ainda é um problema a ser enfrentado pelo país, principalmente quando se refere ao tratamento e educação de autistas. Nesse contexto, torna-se fundamental analisar como a negligência do poder público contribui para essa problemática.
É importante pontuar, inicialmente, como a precariedade do sistema público de saúde se faz responsável. Isso ocorre pois a atenção integral às necessidades de saúde de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma das diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, ainda não vigora no país. O Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, ainda não conta com assistência multiprofissional, fornecimento de medicamentos e nutrientes ao tratamento de autistas. Resultado disso é o retardamento do diagnóstico e pouca eficácia no tratamento.
Outrossim, seria ingênuo não observar como as falhas na educação dificultam a inclusão de autistas. Isso advém, pois as escolas de ensino regular brasileiras ainda não estão preparadas para receber e propiciar um ensino de qualidade aos portadores do TEA, ausência de servidores capacitados comprovam tamanho descaso do poder público para com esse grupo. Além disso, o preconceito se faz muito presente no âmbito escolar. Dessa forma, a escola ao invés de cumprir seu papel de socializadora, funciona como ferramenta de segregação social.
Fica evidente, portanto, que os sistemas públicos de saúde e educação constituem um desafio para a inclusão de autistas. Sendo assim, é imprescindível que o Estado, juntamente com o Ministério da Saúde, por meio de maior subsídio econômico, desenvolva clínicas especializadas no tratamento do Transtorno do ESpectro Autista, que possibilitem assistência multiprofissional à autistas e, também, assistam às famílias, para que os pais saibam lidar com o transtorno e, assim, obtenha-se melhores resultados no tratamento. Ademais, o Ministério da Educação deve promover a capacitação dos servidores para que a escola se torne mais inclusiva. Somente assim, as diferenças se tornarão garantia de inclusão, conforme havia sido dito por Paulo Freire.