Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/10/2018
Escrita pelo filósofo Thomas Morus, a obra “Utopia” define a sociedade ideal como lícita, coesa e equitativa. Distante desse ideal, o Brasil enfrenta desafios para inclusão de pessoas com autismo, gerando prejuízos sociais. Além disso, a falta de assistência médica direcionada às famílias que possuem esses indivíduos colabora para que o problema perpetue.
Primeiramente, cabe ressaltar que o autismo foi recentemente reconhecido na Classificação Internacional das Doenças pela Organização Mundial da Saúde. Partindo desse pressuposto, os profissionais da saúde apresentam dificuldades, pela falta de informação da patologia, a prestar o diagnóstico em questão. Sendo assim, o desfecho revela-se um rompimento ao “contrato social“ defendido pelo sociólogo Rousseau em sua teoria contratualista, haja vista que o Governo Federal neglicencia as demandas de políticas públicas dessa camada social, atuando, consequentemente, como pilar da persistência dos desafios para inclusão de pessoas com autismo no Brasil.
Nesse sentido, ausência de profissionais da área para orientação das famílias caracteriza outra entrave. Por conseguinte, as famílias se tornam inaptas a atenderem as necessidades desses indivíduos. Sob tal ótica, a dificuldade de expressão de sentimentos, inabilidade para comunicação e, em alguns casos, agressividade são apenas alguns dos obstáculos enfrentados pela população em convívio com portadores de autismo. De acordo com o sociólogo Marx “cada geração cultiva em em si os germes para própria deterioração“; analogamente,a precariedade de instrução da sociedade no assunto atua como “germes” e as necessidades desse grupo que não são supridas como “deterioração”. Afinal, parafraseando Platão, todos os indivíduos possuem a mesma natureza da alma e por isso devem ser equiparados.
O panorama geral dos desafios para inclusão de pessoas com autismo no Brasil, portanto, reflete a implementação de medidas. Faz-se necessária atuação do Ministério da Educação, na promoção de projetos de pesquisas, em nível superior, que visem responder questões como métodos para identificação de pessoas com autismo e exames genéticos com maior precisão, no intuito de facilitar o diagnóstico desse grupo social para que possam receber a devida atenção. Outra iniciativa plausível, sobretudo, seria a atuação do Ministérios da Saúde, para promover concursos públicos, para seleção de profissionais médicos, que visem o atendimento de autistas como primário básico da saúde, com a intenção de orientar as famílias para que estejam preparadas a prestar o auxílio primordial aos autistas. Desse modo, poder-se-á criar um legado de que Thomas Morus pudesse se orgulhar.