Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 24/10/2018
Aristóteles, filósofo grego, definiu a felicidade em “Ética a Nicômaco” como o fim supremo de todas as ações humanas, o maior objetivo do homem. No entanto, hodiernamente, o Brasil possui uma série de empecilhos os quais tem impedido milhões de pessoas alcançarem esse fim, pois o país mostra-se imaturo e despreparado à incluir no convívio social pessoas pertencentes ao espectro autista. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação a qual vilipendia direitos constitucionais desse público e permanece ligada à realidade do país através de políticas falhas e da pouca disseminação acerca do tema.
A princípio, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estão entre as causas do problema, pois neste aspecto o Estado não têm cumprido o seu papel de promover o equilíbrio entre a sociedade. Segundo o Dr. Dráusio Varella, há 30 anos existiam 1 em cada 2000 crianças diagnosticadas com autismo, atualmente, esse número encontra-se 20 vezes maior. Em decorrência do exposto, surgem necessidades entre as cidades de apoiar as famílias em prol do desenvolvimento multi-funcional desse público. Em suma, a doença pode ser reconhecida ainda nos primeiros anos de vida de um paciente e -ainda que não tenha cura- pode ser tratada a partir desse momento.
Outrossim, o pouco conhecimento populacional acerca do tema se apresenta como impulsionador da problemática, pois as interações sociais, constantemente prejudicadas por esse fenômeno, não são compreendidas pelas pessoas ao redor. Atrelado ao tema, vale destacar a história de vida do apresentador de televisão Marcos Mion e seu filho Romeu, juntos descobriram como lidar com o espectro autista e suas experiências resultaram em um livro que combate justamente o desconhecimento acerca do tema. Como Mion, 1% da população brasileira tem que aprender sozinha a lidar com as habilidades e dependências de uma pessoa com a doença.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a difusão da inclusão para pessoas com autismo e assim como Nicômaco, possam correr atras do fim de suas ações. Destarte o Ministério da Saúde - em suma responsável pelas promoção da ações da saúde populacional -, intensifique suas políticas para benefício do tratamento para o retratado público e promova o saber sobre o autismo por meio de campanhas multimidiáticas, para que assim o equilíbrio seja alcançado na sociedade e a realidade do país se aproxime da fundamentação do artigo III, o qual demonstra como dever da república: " a construção de uma sociedade justa […]".