Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 21/10/2018
Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, elaborada por Machado de Assis, há um momento em que o personagem principal recusa-se a ter uma relação com Eugência, visto que essa possui determinado problema físico e é chamado de “coxa” pela sociedade. De maneira análoga, o meio social possui preconceito a quem seja portador de síndromes e problemas semelhantes ao da personagem. Sendo esse fator ocasionado pela falta de conhecimento acerca dessas doenças, em virtude disso, os portadores de autismo tem os desafios de inclusão agravados.
Sob esse viés, convém enfatizar que segundo o sociólogo Giddens, a família e a escola são as responsáveis pelos processos de socialização inicial que garante a formação cidadã de cada civil. No entanto, o papel dessas instituições encontra impasses para promover o desenvolvimento dos autistas, pelo fato de que a família indispõe de tempo e experiência para os tratamentos e os modos corretos de lidar com essa síndrome, pois o Estado não promove programas de saúde para auxiliar os pais do indivíduo com autismo. Consequentemente, a instituição familiar não dá as bases sociais necessárias para o jovem detentor desse transtorno e o insere na escola sob a responsabilidade dos professores, porém, esses têm de lecionar para a grande demanda de alunos existentes na sala de aula, e assim, não conseguem transmitir o ensino aos autistas com as especificidades exigidas para tal, dessa forma, o jovem tem a formação educacional retida e possui impasses para incluir-se socialmente.
Nesse contexto, cabe ressaltar a teoria do solipsismo de Descartes, o qual define que o ser é incapaz de sentir e saber o que o outro sente. Desse modo, a falta de empatia entre os indivíduos gera o preconceito aos autistas, visto que esses não compreendem as dificuldades enfretadas para a interação destes em detrimento a aqueles. Sendo assim, a discriminação ocorre por meio do bullying, principalmente nos ambientes escolares, em que o portador da síndrome encontra-se distante da família e indispõe de orientação para pedir ajuda a alguém, com isso, cria traumas de dimensões imensuráveis que o faz retroceder ainda mais a capacidade de comunicação e desenvolvimento. Diante do exposto, é imprescindível que o Legislativo em consonância ao Ministério da Educação criem leis para garantir a contratação de psicopedagogos especializados dentro das escolas públicas e privadas, para que esses ministrem aulas em salas com equipamentos de atividade lúdica direcionadas aos autistas. Bem como, as instituições de ensino deverão propiciar palestras mensais com esses psicopedagogos entre pais e discentes, visando, assim, promover a passagem de conhecimento acerca da doença e a necessidade de altruísmo para gerar facilidades ao desenvolvimento social de quem seja autista. E assim, garantir-se-á o princípio democrático de isonomia para a inclusão desses.