Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/10/2018

Segundo a filósofa brasileira, Marilena Chuaí, a democracia deve ser um sistema com direitos igualitários para todos. Entretanto, o sistema segregacionista, somado ao individualismo, contribuem para os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Diante desse empecilho, suscita uma conduta mais engajada da gestão pública e da sociedade, no intuito de reduzir os efeitos dessa prática sob o bem-estar coletivo.

Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo social excludente, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos sofre uma periferização social. Dessa forma, ao analisar a sociedade pela visão de Claude Lévi-Strauss, nota-se que as pessoas com o espectro autista não são valorizadas de forma plena, pois a sua inserção na sociedade é tida como uma obrigação pessoal, sendo que esse dever é estatal e coletivo. Tal cenário caótico e sequelador rome com o artigo 6 da Constituição Federal, o qual afirma ser dever da União garantir assistência a todos os cidadãos.

Outrossim, vale ressaltar o conceito de “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a qual contribui para o intenso individualismo. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama “líquido”, acaba por perpetuar a exclusão, por causa da redução do olhar sobre o bem-estar dos menos favorecidos. Em vista disso, os desafios da inclusão de autistas estão presentes na estruturação desigual e individualista da coletividade.

Urge, portanto, que o direito à inclusão seja, de fato, assegurado na prática como prevê a Constituição de 1988. Nesse sentido, convém ao Ministério da Educação investir na criação de oficinas educativas em escolas e universidades, por meio de aulas ministradas por mestres e doutores em relações interpessoais que propaguem sobre a importância das diferenças no Brasil, para que a marginalização seja erradicada, a diversidade reconhecida e o preconceito amenizado, o que conduziria a uma sociedade mais justa e igualitária.