Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 15/10/2018
A obra intitulada “A morte de Ivan Ilitch”, de Lev Tolstói, discorre a respeito da falta do senso de coletividade e crítica ao individualismo. Apesar de toda a subjetividade, a trama serve como um gancho para abordar sobre os impasses encontrados ao tratar-se do autismo, a partir do momento que é corroborada a dicotomia existente entre isonomia de direitos e integração social.
Considera-se, antes de tudo, como a crise que a nação enfrenta reflete ativamente no agravamento da temática. Falta de administração, profissionais e atendimentos qualificados aos autistas na área da educação e saúde confirmam as tendências retrógradas do setor político. Segundo o filósofo Jurgen Habermas, a consolidação de uma “ética da discussão” corrobora a implementação de âmbitos morais. Nesse contexto, a máxima postulada por Habermas caminha em sentido divergente da equidade individual, uma vez que a inclusão social de pessoas com autismo necessita de investimento, bem como preparo social e individual. Assim, é notório que a situação caótica enfrentada pelo Brasil dissimula um fértil terreno para que a problemática dos autistas seja colocada em segundo plano.
Analisa-se, também, que a inserção dos indivíduos com desordens do espectro, apesar de crucial, não é prioridade. O Art. 5 da Constituição Federal Brasileira garante a igualdade de todos perante a lei sem distinção de qualquer natureza. Concomitantemente, a criação de uma ótica dominante que perde a oportunidade de gerar equivalência e integridade física, moral e psicológica contribui para a disseminação de estereótipos e preconceitos já enraizados na sociedade. Não obstante, a perpetuação de práticas exclusivas que lesam os direitos individuais coadunam com o fortalecimento de um meio fluído e efemêro. Tal fato é corroborado ao citar a manchete veiculada pelo jornal “El País”, no qual o médico Andrew Wakefield levantou a possibilidade de um vínculo causal entre vacinas e autismo.
Fica claro, portanto, que fazem-se necessárias medidas para tornar viavél o pleno cumprimento dos direitos e deveres. O Ministério da Educação, junto às ONGs, deve investir e fiscalizar as leis já existentes, na tentativa de cumprir com o legislativo e promover a igualdade, além de aplicar punição aos que infringirem as normas jurídicas, seja por meio do uso tecnológico para monitorar os núcleos tecnológicos, contratação de profissionais qualificados para atuar nos setores cruciais da sociedade, criação de centros comunitários em comunidades que amparem esse grupo especial, com áreas de lazer, educação, atendimento hospitalar, utilizando o dinheiro dos impostos para que tais medidas sejam efetivadas. Também, é de suma importância que a mídia, como grande formadora de opiniões, difunda uma cultura de criticidade, com o uso de dados, matérias jornalísticas, jornais e documentários. Só assim, com a mobilização de um todo, haverá mudanças.