Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 12/10/2018

No livro “Holocausto Brasileiro”, é retratada a realidade do hospício de Barbacena, no século XX, o qual foi criado com o intuito de tratar doentes psicológicos, mas tornou-se um lugar desumano para as minorias sociais, como os deficientes. Hoje, felizmente, esse local encontra-se desativado, porém, os brasileiros que sofrem com o autismo enfrentam, ainda, diversos desafios para a sua inclusão. Nesse contexto, a falta de inserção escolar associada à falta de empatia social são os principais causadores desse triste cenário, que precisa ser modificado.                                                                                     Em primeiro plano, além dos Direitos Humanos, que garantem a igualdade de todos perante a lei, os autistas conquistaram, em 2012, uma Lei de Inclusão, a qual ratifica esses direitos. Entretanto, na prática, eles não são garantidos, uma vez que muitas escolas não aceitam alunos autistas ou, quando aceitam, negligenciam seus direitos, seja por falta de suporte ou, quando necessário, de acompanhante especializado. Prova desse torpe cenário é que, normalmente, casos de crianças que enfrentam esse dilema são noticiados pelas televisões brasileiras. Dessa forma, fica clara a dificuldade de se inserir essas crianças na escola, pois o local que, teoricamente, ensinaria valores importantes aos jovens, na verdade, corrobora, de modo lamentável, para a exclusão social de deficientes.                                             Outrossim, de acordo com o filósofo contemporâneo Lipovetsky, a sociedade vive hoje na Era do Vazio, na qual colocar-se no lugar do outro virou uma atitude em extinção. Nesse sentido, entender que os autistas enfrentam desafios é, hoje, uma grande questão social, já que a maioria dos brasileiros não tem a facilidade de ser empático. Nesse contexto, surge o preconceito e a exclusão desses deficientes, como foram muito bem retratados, por exemplo, na série “The Good Doctor”, na qual um jovem autista era marginalizado constantemente, seja pela família, amigos ou pelos colegas de trabalho. Destarte, a falta de alteridade é uma cruel ratificadora dos desafios enfrentados por essa parcela social.                        Portanto, são necessárias mudanças. Para isso, cabe aos Governos Municipais investirem em fiscalizações, por meio de ida constante às escolas, para que seja observado o tratamento dado aos autistas. Ademais, também é importante que a mídia, em parceria com ONG’s, invista em campanhas engajadas, na televisão e internet, que, por meio de casos reais explicitados por atores de grande influência no país, levem o povo à discussão acerca da urgência de se incluir os autistas, com o fito de diminuir o preconceito da sociedade para com eles. Assim, alguns desafios enfrentados pelos autistas ficarão no passado.