Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 12/10/2018

Com o fito de despertar reflexões em torno do autismo e assim minorar as barreiras que impedem à aceitação da doença, a Organização das Nações Unidas intitulou o dia 2 de Abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Todavia, mesmo com tal iniciativa, não há muito que se comemorar no Brasil. Isso porque, no país, os portadores da doença ainda enfrentam uma série de desafios para serem aceitos na sociedade. Nesse sentido, o preconceito que ainda se tem com o que é diferente e a negligência do Estado em não se atentar com a questão constituem um dos principais problemas a serem enfrentados para a inclusão social dos  autistas.

Primeiramente, vale ressaltar que as pessoas vivem tempos de modernidade líquida. O conceito proposto pelo filósofo Zygmunt Bauman faz menção ao imediatismo das informações no século XXI, dificultando a reflexão acerca de dados recebidos e acostumando o ser a utilizar apenas o conhecimento prévio. Logo, o indivíduo quando apresentado à realidade da pessoa autista, a qual é uma realidade ainda não muito comum na sociedade, terá dificuldades em aceitá-la como algo natural, uma vez que seus conhecimentos são baseados em apenas uma esfera de vivência.

Outrossim, o descuido do Estado com a problemática edifica outro cenário desafiador. Nessa perspectiva, Aristóteles dizia que a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, se alcance a harmonia na sociedade. Contudo, o Brasil parece romper com essa harmonia, haja vista que não utiliza o poder do Estado para conscientizar a população da importância da inclusão desses deficientes na sociedade, o que poderia ser feito fazendo uso do recurso midiático pelo fato de  possuir um forte poder de coerção. Desse modo, o então decreto que determina ser um dever da sociedade fomentar políticas públicas voltadas para pessoas com transtorno de espectro  autista, é inviabilizado, o que corrobora ainda mais para o agravamento do problema em questão.

Com base noque foi supracitado, fica claro que medidas são necessárias para promover a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Educação combater o preconceito ao que ainda não é tomado como normal na sociedade, por meio de palestras e discussões nas escolas capazes de aproximar os indivíduos da realidade do autista, a fim de se formar uma população menos excludente do ponto de vista social. Ademais, é necessário que o Estado, em parceria com a mídia televisiva alerte e convide a população a enfrentar o problema, mediante propagandas de caráter impactante que despertem à atenção das pessoas sobre o fato, para que toda a nação possa contribuir com a inclusão social de deficientes portadores do autismo e, ao mesmo tempo, fazer do dia 2 de abril uma a qual deva se comemorar.