Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/10/2018
Sociedade, na biologia, é um tipo de relação ecológica intraespecífica que faz com que algumas espécies, como a humana, sejam extremamente dependentes do exercício de sua sociabilidade. Entretanto, aqueles que não possuem naturalmente as habilidades exigidas pelo convívio social e aparentam desinteresse por interações interpessoais, como os portadores do Transtorno do Espectro Autista- TEA- podem ser prejudicados devido ao não reconhecimento de suas fragilidades e direitos. Diante disso, emergem como principais desafios, a falta de informação, bem como a ausência de profissionais capacitados para prestar atendimento adequado à pessoa autista.
Precipuamente, a falta de informação protagoniza o papel de anti-herói no que tange o TEA. Isso é testificado historicamente, já que, na idade média, pessoas com deficiência eram, erroneamente, tidas como pecadoras e segregadas . De maneira análoga, a hodiernidade dá continuidade à esse processo ao corroborar para um cenário de iletrismo no âmbito do autismo, devido à inexpressiva quantidade de campanhas informativas sobre o transtorno, propiciado a perpetuação de situações constrangedoras às mães de crianças autistas, que sofrem críticas de pessoas leigas quanto ao comportamento do filho especial, bem como a dificuldade de assimilação dos sintomas, levando a um diagnóstico tardio que pode prejudicar o desenvolvimento e quaisquer perspectiva de independência futura.
Em liame ao exposto, surge também a problemática da falta de profissionais capacitados nas várias áreas das esferas pública e privada para prestar atendimento digno ao portador do TEA. A principal característica do autismo é, além do aparente desinteresse em relacionar-se com outras pessoas, a ansiedade excessiva. Diante disso, a ida a escolas ou hospitais por exemplo, nos quais os profissionais não são capacitados para prestar atendimento adequado e prioritário àqueles portadores da síndrome, a presença de pessoas desconhecidas, o tempo de espera e o barulho podem servir como gatilho para uma crise, dificultando a inserção natural do autista no convívio social.
Sendo assim, pode-se perceber que a exclusão de pessoas com autismo no Brasil pinta um cenário de descaso e sofrimento familiar. Para garantir a integração destes à sociedade é improtelável a criação de materiais educativos de conscientização e de fácil compreensão para serem divulgados em canais abertos e plataformas como o youtube, que permite a “viralização” de conteúdos com um formato mais moderno, como curta metragens, produzidos através de parcerias público-privadas entre a Secretaria Nacional dePromoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e empresas audiovisuais. A fácil propagação destes materiais, que pode ser reforçada no Dia Mundial da Conscientização do Autismo- 02 de abril- deve surtir efeito positivo tornando o país mais inclusivo e justo para todos.