Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 05/10/2018

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesta perspectiva, uma simples inserção pode transformar e desenvolver várias vidas, como é o caso do autismo que em 2017 na Netflix ganhou destaque com a série Atypical que mostrava a vida e os conflitos do personagem principal com autismo. No entanto, em outros casos, há empecilhos que dificultam o processo de ser solidário, como acontece em relação à inclusão do autismo nas mídias sociais.

Primeiramente, a falta de informação corrobora para o desconhecimento sobre a importância da incorporação do autismo na sociedade. As campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, a visibilidade faz-se menor do que a real demanda. De acordo com a pesquisa feita pela Folha de São Paulo, a mídia difunde um discurso que o autismo é uma anomalia e que esses indivíduos assim diagnosticados ficam sem função dentro da sociedade contemporânea. Assim, a exposição deste problema pelos meios de comunicação e o incentivo a integração dos autistas seria uma grande oportunidade para desconstruir idéias como essas.

Além disso, a propagação dos estereótipos pelos meios de difusão da informação contribui para aumentar o preconceito e a intolerância. No Brasil, por exemplo, 150 mil casos de autismo são diagnosticados por ano segundo dados do Hospital Albert Einstein. Dessa forma, a baixa integração desses indivíduos acarreta um desenvolvimento intelectual e social precário e a difusão do desrespeito aumenta consequentemente. Com isso, tal grupo fica à margem de uma sociedade mal informada e preconceituosa que perpetua hábitos e conceitos erroneamente.

Deve-se, então, superar as barreiras que interferem na inclusão do autismo nas mídias contemporâneas. Portanto, a mídia tem um papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre o transtorno do espectro autista (TEA), abrindo espaço para os familiares buscarem por melhores informações e legitimarem reivindicações por melhores condições de tratamento da doença, seja na televisão e internet, seja em revistas e ficções engajadas, como série, filmes e história em quadrinhos. Logo, os cidadãos seriam incentivados a exercerem a solidariedade. Ademais, o Estado, em parceria com a OMS, deveria investir em organizações que promove pesquisas, conhecimento, apoios aos familiares e ao autista e aplicação de verbas públicas em hospitais, tratamentos e médicos especializados na área, com intuito de um diagnostico precoce e um tratamento eficiente.