Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/10/2018

Há várias décadas, a população vem enfrentando uma doença preocupante: o Transtorno do Espectro Autista. Segundo dados da Revista Autismo cerca de 70 milhões de pessoas no mundo já foram diagnosticados e só no Brasil são aproximadamente 2 milhões de casos. Embora seja uma doença que afeta vários indivíduos, há impedimentos na inclusão e socialização dessas pessoas. Tais adversidades podem ser desde dificuldades no diagnóstico, acesso ao tratamento, ou até a exclusão do âmbito social devido às limitações comunicativas. Logo, deve-se tomar medidas urgentes, para que a incorporação coletiva dessa minoria aconteça, incitando a atenção do Ministério da Saúde, juntamente com as escolas e os meios de comunicação.

Em primeiro lugar, o acesso à saúde básica, à detecção do quadro e aos recursos terapêuticos não pode ser um entrave no bem-estar autista. Apesar da Lei 12.764 instituir proteção de suas garantias e dar direito às necessidades de saúde, na prática há barreiras que impedem o seu exercício. Exemplo disso é o baixo número de médicos psiquiatras disponíveis à população pobre brasileira e capaz de determinar o quadro clínico. Do mesmo modo, se não há atenção médica básica, tão pouco há a disponibilidade de tratamento, o que, por consequência, não possibilita uma intervenção de acordo com as demandas específicas do autismo. Dessa forma, devido a pequena participação social no controle efetivo de políticas públicas, o direito à saúde dessa minoria é marginalizado.

Além disso, evidencia-se que o preconceito da sociedade suprime a interação comunicativa do autista. Ainda que essa alteração seja uma consequência normal da doença, ainda é comum à sua exclusão do social devido às diferenças de linguagem, comunicação e a forma de como interagem. Tais desigualdades não podem ser o motivo de atitudes estigmatizadoras, que só os isolam do acesso à educação, ao emprego e ao convívio social. Em virtude disso, integrar e respeitar este grupo, conforme Paulo Freire, é entender que a inclusão só acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdes. Por isso, urge entender que o corpo social é um todo heterogêneo.

Portanto, proporcionar uma saúde de qualidade e respeitar as diferenças são as primeiras ações de combate aos desafios de introdução ao sociável. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, por emendas constitucionais, não só aumentar o número de médicos atuantes no Sistema Único de Saúde, mas também disponibilizar exames e terapias, a fim de proporcionar carecimentos essenciais à doença. Ademais, a mídia e as escolas devem incentivar a desconstrução do preconceito e promover a semana da inclusão, baseada em atividades inclusivas, que busquem fortalecer o respeito à diversidade e a coletividade. Só assim, as barreiras enfrentadas pelos autistas brasileiros poderão ser superadas.