Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 09/10/2018
Na antiguidade clássica, indivíduos portadores de patologias eram considerados seres de máxima evolução. Na hodiernidade brasileira, contudo, esse cenário se mostra divergente e essas pessoas são, infortunadamente, excluídas do convívio social por serem abalizadas díspares. Nessa ótica, é salutar elucidar a existência de intolerância no tangente ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), doença que atinge uma a cada 59 crianças no mundo. Indubitavelmente, essa prática preconceituosa reverbera imbróglios nos âmbitos econômico e social no tocante a esses grupos, o que configura uma problemática resultante de atos negligentes referentes ao governo, o qual inferiorizou o obstáculo até que esse atingisse o ápice e, dessa modo, permitiu a vigência de um contexto discriminador.
Em primeiro plano, convém ressaltar que, ainda que se trate de uma temática vetusta, as discussões acerca da inclusão da pessoa portadora do TEA se iniciaram na contemporaneidade. Isso evidencia, sobretudo, a razão pela qual a coletividade não conhece, de maneira ascendente, o tema. Nesse sentido, ao analisar a história da sociedade, observa-se atitudes ímpias no que diz respeito ao tratamento de enfermidades físicas e psicas, potencializando a marginalização dos constituintes desses grupos. Similarmente, a Segunda Guerra Mundial não contrariou o padrão herdado e tratou os deficientes de forma execrável e brutal. Diante disso, é evidente o dever da atualidade em se desvincular desse legado prejulgador excludente às pessoas diagnosticadas com o espectro autista.
Em segundo plano, é importante salientar que o país avançou moral e eticamente ao inserir artigos abrangentes no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os quais preveem, teoricamente, o direito do ensino universal. Em contrapartida, é notório que não há, plenamente, o cumprimento dessas medidas, corroborando a permanência de lacunas a esse assunto essencial. Além disso, é irrefragável destacar a vulnerabilidade apresentada pelos portadores da doença ao se inserirem no meio escolar, visto que, por serem tratados como dissemelhantes pelo corpo social, sofrem violência sistemática. De maneira análoga ao pensamento de Michel Foucault, é fundamental que a esfera global se desassocie de pensamentos ultrapassados e construa novos, pautados em conceitos humanizados e integrantes.
Torna-se irrefutável, portanto, que o contingente demográfico deve se adequar às diversificações existentes nele. Consoante a isso, é primordial que as leis já existentes sejam restituídas e, impreterivelmente, cumpridas. Para que isso aconteça, o ECA, em parceria com o Ministério da Educação, deve mudar os artigos que abordem o TEA, instituindo a indispensabilidade da preparação profissional na esfera escolar, preparando, assim, o aluno para a vida profissional, de modo que esse usufrua dos mesmos direitos sociais destinados a indivíduos não possuintes de patologias.