Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/10/2018
Na mitologia grega, Zeus condenou Sísifo a rolar um rochedo montanha acima eternamente, mas sempre que ele chegava ao topo, sua exaustão fazia com que a pedra retornasse à origem, tornando seu esforço improdutivo. Esse mito assemelha-se aos desafios que as pessoas com autismo enfrentam diariamente em prol de uma maior inclusão. Mesmo após a conquista de diversos direitos, os autistas continuam sofrendo preconceito e exclusão social desde cedo, sendo necessário, portanto, um debate acerca do assunto para que se chegue a soluções eficazes.
Primeiramente, vale ressaltar que a perversa situação em que se encontram os indivíduos com essa síndrome não é pertencente apenas ao século XXI. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, cientistas realizaram experimentos em crianças e adultos autistas levando muitos deles à morte. Embora não seja mais comum essa prática, o mundo atual ainda trata esses sujeitos como inferiores e problemáticos, excluindo-os do resto da sociedade e propagando a intolerância. Por isso, pode-se afirmar que esse enraizado pensamento discriminatório mostra-se um dos maiores obstáculos para a inserção social da população autista no país.
Além disso, a dificuldade de acesso à escola de qualidade no Brasil encarada pelos indivíduos com autismo sugere uma violação do “contrato social” defendido por John Locke, já que, de acordo com essa ideia, o Estado deve garantir que todos os cidadãos desfrutem de seus direitos, como a educação. Com a resistência dos colégios em matricular estudantes autistas, muitas vezes devido ao preconceito anteriormente mencionado, esses alunos são direcionados a um ensino precário e altamente segregacionista que, com a falta de acompanhamento profissional, contribui para a exclusão dessas pessoas e para a consequente intensificação na gravidade da conjuntura atual.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente a ONGs, promova a tolerância e a informação acerca de tal transtorno por meio da elaboração de campanhas educacionais e oficinas de arte com o objetivo de propiciar uma maior inclusão dos autistas nas instituições de ensino. Ademais, é dever das escolas viabilizar um acompanhamento especializado para as crianças que sofrem dessa síndrome, contratando profissionais adequados como terapeutas comportamentais, para tais alunos obterem maior desempenho dentro e fora dos colégios. Deste modo, essas pessoas poderão ser incluídas cada vez mais na sociedade e não mais serão condenadas a sofrer pela eternidade como Sísifo.