Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/09/2018
O romance “O estranho caso do cachorro morto”, escrito pelo autor inglês Mark Haddon, retrata a história do personagem Christopher Boone, um menino de 15 anos que tem um tipo de autismo e vive com pais os quais não sabem lidar com suas necessidades. Analogicamente, fora da ficção, percebe-se que os indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam uma série de desafios para serem incluídos à sociedade brasileira. Nesse sentido, seja devido à negligência, seja à falta de mecanismos governamentais, faz-se necessário inibir o impasse.
Mormente, observa-se que há limitações na atuação das instituições sociais. Isso porque, apesar de serem primordiais, segundo Anthony Giddens, na formação e na transmissão do conhecimento ao indivíduo, família e escola, na maioria das vezes, não cumprem seu papel de socialização do autista. Assim, pais e docentes não possuem a capacitação necessária para agir de modo correto em situações básicas e emergenciais. Além disso, esse fato possibilita o preconceito e a inferiorização desse grupo, tal como elucidado, por exemplo, em relatos recebidos pelo “Instituto Autismo e Vida”, que demonstram a intolerância procedente até mesmo de professores.
Ademais, nota-se ainda que a ausência de políticas públicas corrobora a problemática. Isso visto que, não obstante a OMS revele o crescimento do número de pessoas com TEA, as ações estatais do país são escassas, recentes e inoperantes. Sob uma análise histórica, durante muitos anos o Brasil não adotou políticas de apoio a essa parcela, de modo a não coadunar com os princípios democráticos garantidos pela Magna Carta. Com isso, a oferta de tratamentos e assistência médica, promovidos pelo Sistema Único de Saúde, não suprem a demanda e dispõem de precariedades no acolhimento dessa parcela.
É primordial, portanto, a atuação conjunta da sociedade e do Estado para assegurar os direitos dessa esfera. Destarte, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar uma estrutura abrangente de combate à exclusão, por meio da implementação de cursos de qualificação dos profissionais da educação e de pais, bem como desenvolver flexibilizações curriculares que atendam suas particularidades, com a inserção de tecnologias - como o aplicativo “GanGame” - e aulas de ioga; a fim reduzir crises nervosas e promover o bem-estar. Outrossim, o Congresso Nacional deve destinar mais recursos ao setor de saúde, a partir de uma alteração na Lei de Diretrizes, com o intuito de possibilitar a construção de centros de atendimento e de integração do indivíduo com TEA, além de divulgar, por intermédio do setor midiático e de projetos como o “Entendo o Autismo”, campanhas de conscientização. Logo, poder-se-á evitar indiligências, como as sofridas por Boone, na realidade.