Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 05/09/2018

No ano de 2012, foi sancionada a Lei 12.764, por nome Berenice Piana, em seu texto essa Lei torna obrigatório a inclusão de autistas nas escolas de ensino regular. Todavia, mesmo sua existência, a realidade ainda permanece distante do esperado, uma vez que a falta de conhecimento sobre o tema, consoante às dificuldades das instituições em lidar com a diversidade, tornam o ato de incluir incompleto.

A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões político-estruturais. Devido ao fato de que , a partir da criação de uma lei específica torna-se necessário ampliar o conhecimento sobre o autismo do público participante do processo de inclusão. Nessa perspectiva, pela falta de especialização nas escolas de ensino regular a inclusão dos autistas fica distante do esperado. Uma vez que essas crianças por possuírem condições especificas, ora na forma de aprendizado, ora no seu comportamento, muitas vezes, não são compreendidas pelos próprios colegas de classe e por seus professores.

Segundo o Senso Escolar da Educação Básica do MEC, houve,em 2017, cerca de 90,9% de aumento das matriculas de pessoas com necessidades especiais, se comparado aos anos anteriores. Entretanto, apenas 40% dessas instituições possuem algum serviço especializado. Dessa maneira, fica evidente que o processo de inclusão que se inicia na escola, não pode apenas lançar o aluno na sala de aula. Mas preparar os professores e todo o corpo escolar, de forma que ocorra uma transformação para incluir àqueles que necessitam de atendimento especial, sem exclui-lo do convívio social.

Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada por fatores socioculturais. Durante a formação do Estado brasileiro, as instituições de ensino foram feitas para segregar os bons alunos dos “maus” e também os normais dos “deficientes”, sendo assim não houve no processo histórico o ideal de incluir, de tornar o ensino como algo democrático e que é responsável por preparar o cidadão para seu convívio social.

Torna-se evidente, portanto, que os desafios para inclusão de autistas na sociedade ainda apresenta entraves que necessitam ser revertidos. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde, Ministério da Educação junto as secretárias estaduais e municipais deliberem a respeito do tema, para a criação de cartilhas para os alunos de ensino fundamental e médio, também para a sociedade, a fim de tomem conhecimento do assunto. Além disso, é imprescindível a criação e capacitação de cursos de especialização para os professores junto aos psicólogos , para que possam lidar com a diversidade. Destarte, os autistas terão desde criança seu merecido espaço na sociedade.