Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/08/2018
Integrando autistas e desintegrando preconceitos
Em meados do século passado, o físico Albert Einstein afirmou que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Infelizmente, a frase do cientista alemão segue atual e muitos são os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Dentre eles, destacam-se, sobretudo, o elevado grau de individualismo e o pouco conhecimento sobre essa síndrome.
Em primeiro lugar, cumpre salientar que o individualismo dificulta a integração de pessoas com autismo. Conforme explicado pelo filósofo Zigmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma das principais características da sociedade pós-moderna. Como consequência disso, as pessoas, muitas vezes, são incapazes de praticar a alteridade. Nesse contexto, a capacidade do tecido social de incluir pessoas com algum tipo de necessidade especial, como o autismo, reduz-se bastante.
Ademais, o processo de incluir um(a) autista é dificultado quando se tem pouco conhecimento sobre a síndrome dessa pessoa. O estereótipo de que o autista vive no seu próprio mundo e/ou que ele necessariamente possua algum talento genial, como é o caso do jogador do Barcelona Lionel Messi, complica a compreensão das reais necessidades do portador de autismo. Nesse sentido, recorda-se o ensinamento do teólogo Leonardo Boff, para quem todo ponto de vista é a vista de um ponto. Logo, para facilitar a inserção dos autistas, deve-se aproximar o ponto de vista da sociedade do ponto de vista do autista.
Diante disso, infere-se, portanto, que, visando à inclusão de autistas no Brasil, é imprescindível que as pessoas sejam capazes de compreender melhor o autismo. Isso deve ser feito pela mídia, através da produção de conteúdo, como novelas, que tenham portadores de autismo como personagens e/ou programas de auditório que tratem situações reais vividas por autistas e suas famílias. Concomitantemente, faz-se necessário que o Ministério da Educação produza material, a ser utilizado por professores em sala de aula, que ensine crianças e adolescentes sobre as melhores maneiras de interagir com colegas autistas. Por meio dessas medidas, contribuir-se-á não só para superar o preconceito com o autismo como para tornar a frase de Einstein, finalmente, obsoleta.