Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/08/2018

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do desenvolvimento neurológico, que apresenta déficit nas dimensões sociocomunicativa e comportamental do indivíduo. Atualmente, o autismo é considerado uma deficiência prevista em lei federal (lei nº 12.764/12), que possibilitou a garantia de direitos às pessoas com TEA e a cobrança por políticas públicas de inclusão. Apesar da existência dessa lei, os portadores dessa patologia ainda encontram muitos desafios para que tenham sua inclusão social garantida, possam sentir-se como parte da sociedade e nela convivam sem preconceitos.

Em primeiro lugar, o desafio está no serviço público, que não garante recursos que permitam o diagnóstico precoce e um acompanhamento multiprofissional. Diante disto, observa-se que o desconhecimento sobre a síndrome e a carência de estratégias pedagógicas específicas pode acarretar poucos efeitos na aprendizagem da população autista. Isso é fundamental para repercutir na autonomia e na capacidade de interação de forma mais independente na sociedade.

Não obstante, o despreparo das escolas regulares dificulta no processo de aprendizagem. Nesse contexto, são identificadas barreiras como: a negação de matrículas devido ao preconceito dos gestores, pouca formação específica dos professores e presença de atitudes segregacionistas dos colegas, o que causa insegurança nos pais dos alunos incluídos. Tudo isso, conduz à evasão escolar, que é impulsionada pelas dificuldades em atender às especificidades educacionais dos alunos portadores do transtorno.

Portanto, é necessário que o governo invista na implantação de projetos que ofereçam tratamentos gratuitos, capacitando os profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), para que esses saibam tratar do autismo especificamente, já que geralmente os trabalhos são realizados em grupo, o que não funciona com pacientes autistas devido à dificuldade de interação social. Outro ponto encontra-se nas escolas, que devem garantir o direito ao ensino regular, com a participação dos profissionais em cursos para inclusão, ministrados por especialistas no assunto, como forma de conhecer as especificidades dos alunos com deficiência, assim como os recursos pedagógicos que viabilizam sua aprendizagem.