Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/10/2018

No século XVIII, o Iluminismo consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez a dignidade humana a todos. Entretanto, a sociedade brasileira ainda se mostra incapaz de tratar os autistas da forma digna prevista pelos iluministas há quase três séculos. Com efeito, a construção de uma comunidade com equidade pressupõe a valorização das pessoas com autismo.

Observa-se, em primeira instância que a falta de aceitação do meio familiar em relação aqueles com transtorno do espectro autista inviabiliza o tratamento dessa enfermidade. Nesse sentido, o escritor e sociólogo Gilberto Freyre, em sua obra “Casa-grande e Senzala”, relata que o Brasil foi construído a partir do modelo de lar burguês, que repudiava toda forma de deficiência que fragilizasse o padrão familiar. Desse modo, a cultura da família perfeita permanece enraizada no país desde a época da casa-grande e da senzala coloniais, já que ainda não há aceitação do autismo, o que acarreta negligência parental acerca do acompanhamento médico do autista. Dessa forma, a perpetuação do lar burguês – Denunciado por Gilberto Freyre- Afeta a contemporaneidade e deve ser repudiada pela sociedade brasileira.

De outra parte, as autoridades publicasse mostram ineficazes no tratamento do autismo. Nesse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo o qual algumas entidades perderam a sua função social, mas mantiveram – A todo custo – A sua forma. Assim, o SUS se enquadra na teoria de Bauman, na medida em que é ineficiente na assistência dos autistas, o que gera consequências irreversíveis ao sistema cognitivo desses indivíduos. Desse modo, enquanto a omissão do poder público se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com o principal problema para aqueles que convivem com autismo: A saúde fragilizada.

É urgente, pois, que o Transtorno do Espectro Autista seja tratado com eficácia. Para isso o Ministério da Saúde deve, com urgência, possibilitar o acompanhamento, por meio de assistentes sociais que acompanhem os autistas desde a infância, para que lhes seja garantido o desenvolvimento de cognição. Por sua vez, os indivíduos precisam denunciar quem cometa atitudes preconceituosas, por intermédio das mídias sociais, a fim de que tratamento do autismo deixe de ser um obstáculo no país.