Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/08/2018
O livro Atypical, escrito por Jesse Saparstein, em 2010, retrata a história de um autista, o Sam, de como a sua inclusão não é efetiva na sociedade e no ambiente escolar. Nada obstante do livro, o autista, na atualidade brasileira, é cada vez mais negligenciado no sistema educacional, o que faz surgir, assim, desafios a serem enfrentados por pessoas autistas. Nesse sentido, a falta de profissionais qualificados e o preconceito sofrido por tal parcela social contribuem, ainda mais, para o agravamento desse quadro no Brasil.
Em primeiro lugar, é fundamental compreender que as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) garantem o acesso pleno à educação por pessoas com distúrbios de aprendizagem, o que inclui os autistas. Entretanto, o cenário educacional brasileiro não se configura como dito na lei, já que, as pessoas com autismo não tem assistência de profissionais qualificados no seu ensino-aprendizagem, logo, eles são negligenciados nas escolas e, consequentemente, na sociedade. Seguindo essa linha de raciocínio, a gestora da Unicamp, Maria Montoan, diz que o Brasil é um país totalmente despreparado para integrar os autistas, pois faltam profissionais especializados, o que deixa claro a necessidade deles nas escolas.
Além disso, os autistas tendem a sofrer sete vezes mais bullying do que outras crianças e adolescentes no cenário escolar, conforme a pesquisa realizada pela Universidade de Lisboa, no ano de 2017, em Portugal. Por conseguinte, o autista perde, por exemplo, a vontade de voltar à escola e conviver nesse ambiente intolerante. Em verdade do que foi supracitado, há o caso de Arthur – um menino autista – divulgado pelo G1, em Junho de 2018, o qual foi vítima de bullying e se recusava a retornar ao ambiente escolar. Em suma, reverter esse quadro em que se encontra os autistas é essencial para promover a sua integridade social.
Urge, portanto, a necessidade de incluir pessoas autistas na educação brasileira. Para isso é dever do Ministério da Educação (MEC) aliado ao Governo Federal, promover a qualificação de profissionais, através de especializações no ensino especial, oferecendo bolsas de estudos em instituições federais, a fim de atenuar a falta de especialistas no assunto e garantir o acesso à educação de qualidade pelos autistas, estabelecido na LDB. Ademais, cabe ao MEC, ainda, implantar no plano pedagógico nacional, aulas que visem à discussão de distúrbios de aprendizagem e a necessidade de respeito a eles, por intermédio daqueles profissionais capacitados, para que, assim, o bullying contra autistas seja eliminado. Por fim, a tolerância e a integração dessas pessoas serão efetivas na sociedade e na escola, ao contrário do que aconteceu com Sam, em Atypical.