Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/08/2018

A exclusão dos sujeitos com autismo da sociedade é um problema recorrente na história da humanidade. Na Roma Antiga, por exemplo, tanto os nobres como os plebeus tinham permissão para sacrificar os filhos que nasciam com algum tipo de transtorno. Apesar de o Brasil ser conhecido como um país cuja população é amigável, tem-se, atualmente, um contexto análogo a esse: ainda persistem os casos de discriminação contra os portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dessa maneira, encontrar caminhos para a inclusão dos autistas no Brasil é um desafio que deve ser enfrentado pela sociedade civil e pelo Estado.

Em primeira instância, ressalta-se que, segundo a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos são iguais independentemente da estratificação social ou etnia, e todos possuem direito a educação bem como à saúde e ao emprego. Isto posto, o que se observa, é a violação à Carta Magna, pois a parcela da população com autismo não pode frequentar a escola, porque o local não têm profissionais capacitados e muito menos uma preparação pedagógica que possa acompanhar suas necessidades - como a carência de um acompanhamento especializado - devido à falta de investimentos governamentais. À vista disso, infelizmente, são comuns as denúncias de colégios que negam o ingresso do estudante com TEA, sendo assim, tornando a inclusão social dos autistas um desafio.

Outrossim, os sujeitos com TEA são constantemente subestimados quando procuram trabalho, pois os empregadores acreditam que os autistas não exercerão bem a função. Nesse ínterim, evidencia-se o seriado “The Good Doctor”, no qual o protagonista é um cirurgião com autismo, logo, elucidando as perspectivas preconceituosas acerca da capacidade que esses indivíduos possuem. Ademais, a desinformação das pessoas, e a ausência de campanhas publicitárias que busquem conscientizar a população sobre esse transtorno mental corroboram para que o preconceito seja enraizado no corpo social. Destarte, a exclusão dos autistas existe, mesmo que de forma implícita, à primeira vista.

Urge, portanto, a necessidade da intervenção civil e estatal. O Estado, nesse contexto, carece de fomentar políticas públicas eficazes, tal como investir na estrutura e na capacitação dos educadores, por meio de um maior percentual do PIB destinado para a educação, dessa forma, incluindo os autistas nas escolas. É imperativo, ainda, que a população em parceria com as escolas, promovam eventos e seminários, mediante campanhas de caráter popular, para que médicos e psicólogos orientem os civis, sobre o TEA, de modo a mitigar conceitos pré-estabelecidos e facilitar a inclusão deles em todas as esferas socais. Sendo assim, combatendo a exclusão dos deficientes iniciada na Roma Antiga, respeitando a Lei Supre e fazendo com que a população brasileira faça jus à fama de amigável.