Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 14/08/2018

O filme americano “Rain Man”, estreado em 1988, demonstra o transtorno do autismo como uma ferramenta para a superação do respeito as diferenças. Nessa perspectiva, a falta de empatia ao próximo, inerente as consternações vividas pelos autistas, interfere no bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, aos problemas sociais por negligência estatal, bem como as práticas do preconceito a esse contingente social. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar os desafios enfrentados por essa massa populacional.

De fato, é indubitável que a omissão do Estado contribua para potencializar a marginalização social dos autistas. Nesse viés, segundo Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Isso posto, é perceptível que, mesmo com a legitimidade da educação como direito a todos, segundo a Constituição de 1988, são escassos, por exemplo, os investimentos na formação pedagógica dos professores que atendam a esse público nas escolas, bem como a construção de salas de aulas específicas para o aprendizado desses indivíduos. Ademais, ressalta-se que a prioridade em filas e assentamentos ao portadores do autismo não é respeitada, mesmo com a aprovação da emenda constitucional. Esse impasse fomenta a elaboração de projetos sociais, a fim de mitigar esse desafios.

Outrossim, de acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, a negligência em relação ao outro constitui uma das maiores problemáticas do mundo moderno. Segundo essa premissa, infere-se que, a existência massiva de indivíduos preconceituosos e intolerantes está sensivelmente vinculada à fluidez da convivência social. Nesse ínterim, denota-se as agressões verbais que ocorrem nas ruas e nas escolas, a título de exemplo, as quais atribuem aos autistas a alusão de pessoas incapazes e não sociáveis. Nesse sentido, pode-se citar o caso do autista André Moreno, de São Paulo, o qual era vítima de “bullyng” onde estudava, segundo matéria publicada no G1.

Urge, portanto que, diante da realidade nefasta enfrentada pelos portadores de autismo, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para isso, cabe ao Estado, em sinergia com o Ministério dos Direitos Humanos, elaborar projetos sociais, por meio de emendas constitucionais, os quais invistam na infraestrutura das escolas, com a criação de salas de aulas específicas e a formação pedagógica dos professores. Além disso, a regulamentação das leis que garantem a prioridade dos autistas em filas e assentamentos, com o escopo de respeitar os direitos desses cidadãos. Ademais, é dever da escola, em conjunto com a mídia, promover debates educativos, por meio de ficções engajadas, no intuito de suscitar a sensibilização dos indivíduos. Logo, esses desafios serão vencidos.