Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/10/2018

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, garante a todos os indivíduos o direito a saúde, educação e bem-estar social, defendendo a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. De maneira análoga, Albert Einstein idealizava uma política democrática, na qual, todo homem deveria ser respeitado como indivíduo e nenhum venerado. No entanto, parte da nação verde e amarela, sobretudo os autistas, não tem seus direitos honrados, tendo em vista os esteriótipos construídos, bem como a inoperância estatal, que impedem a inclusão dessas pessoas na sociedade.

É indubitável, que o problema é agravado pela imagem estereotipada da pessoa com trastorno autista. Aliado a isso, devido a falta de informações e o diagnóstico tardio, a pessoa com o transtorno enfrenta limitações até mesmo no âmbito familiar. A título de exemplo, durante o filme “Rain Man” o personagem autista Raymond, passa a conviver com seu irmão, que em um primeiro momento, acredita que o irmão possui retardo mental, ao longo da trama isso é desconstruído e fica evidente que Raymond possui habilidades como qualquer outro ser humano. É válido ressaltar que o autista possui talentos específicos e pode se adequar a sociedade de acordo com suas potencialidades.

Mormente, destaca-se a escassez de políticas inclusivas, como um problema para abrandar esse panorama de indiferença. Apesar de ser uma minoria, no conceito qualitativo - já que segundo o estudo feito pelo Centro de Controle de Doenças, existem mais de dois milhões de autistas no Brasil -  a população autista encontra baixa representatividade política e são invisibilizados, o que faz com que o acesso aos seus direitos e o exercício da cidadania não seja plenamente garantido. A esse respeito, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo a qual algumas instituições, dentre elas, o Estado, mantêm sua forma a todo custo, mas perderam sua função social. Sob tal ótica, é irrefutável que embora o direito ao ambiente escolar e mercado de trabalho seja um direito constitucional, ainda há carência de projetos, que de fato preparem esses cidadãos para os desafios advindos da pós-modernidade o que atesta a ineficiência de estratégias sociopolíticas.

Somando-se aos aspectos supracitados, estratégias são necessárias para reverter esse cenário. Para isso, o Ministério da Cultura juntamente com a Mídia deve desenvolver propagandas, para a população em geral e empresas, por meio de entrevistas com , bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre as limitações e potencialidades da pessoa com transtorno autista, a fim de garantir a inclusão e manutenção da educação e ao mercado de trabalho. Por fim, é preciso que a nação brasileira olhe de forma mais otimista para as diferenças, pois como constatou Paulo Leminski: “em mim eu vejo o outro”.