Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/08/2018
Em 1943, Leo Kanner, psiquiatra austríaco e diretor de psiquiatria infantil do Jonhns Hopkings Hospital, publicou a obra ‘‘distúrbios Autísticos do Contato Afetivo’’ que descreveu o comportamento de 11 crianças autistas, apesar de todo os avanços no campo de estudo do autismo, ainda percebe-se obstáculos na inclusão dessas pessoas na sociedade brasileira. Dessa forma, é válido analisar o processo educacional e o preconceito sofrido como fatores que influenciam nessa problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) assegura o direito de uma criança autista ingressar em escola regular e obter um ensino de qualidade. Entretanto, esse conjunto de leis não proporciona a total inclusão do deficiente no meio educacional, uma vez que a especialização dos professores e a adequação os colégios para receber os autistas ainda não é uma realidade no cenário brasileiro. Para ilustrar, é útil apresentar o caso ocorrido em São Paulo, onde a mãe Janine Sapora teve que tirar seu filho que sofre do transtorno do colégio, pois a instituição não estava preparada para inclui-lo. Consequentemente, há um distanciamento com a frase de Aristóteles na qual ‘‘a base da sociedade é a justiça’’, visto que os indivíduos mais vulneráveis e que necessitam da eficácia das leis não têm seus direitos assegurados.
Em segundo lugar, é fundamental pontuar que a discriminação existente na sociedade contra os autistas representa um entrave para o desenvolvimento de uma nação mais coesa. Isso ocorre, posto que o preconceito deriva da baixa informação da população sobre a síndrome, gerando atitudes segregacionistas e comportamentos maldosos como, por exemplo, forçar a fala de um autista, o que é extremamente danoso ao indivíduo que sofre desse transtorno. Em consequência disso, essas práticas hostis acarretam obstáculos ainda maiores no processo de inclusão dos portadores de autismo no corpo social. Desse modo, observa-se uma contraposição por parte da sociedade com a frase do escritor alemão Frankz Kafka, ‘‘a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito a dignidade humana’’, haja visto que a dignidade dos portadores da síndrome não é respeitada.
Tornam-se evidentes, portanto os elementos que contribuem com a atual situação negativa do país e a necessidade de mudanças imediatas. Ao Ministério da Educação, cabe, por meio de fiscalizações, aplicar multas punitivas, nas instituições que não adaptarem as instalações escolares para que os estudantes se sintam menos distantes e arredios, além de oferecerem cursos gratuitos voltados aos profissionais educacionais, acerca das maneiras certas de lidar com a síndrome, com objetivo de garantir o pleno acesso a educação. Por fim, os meios de comunicação, devem, mediante propagandas, esclarecer à população sobre o autismo, com intuito de reduzir o preconceito na nação.