Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/08/2018
Muitas questões importantes emergem na sociedade, entre elas os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a data 2 de abril para ser o Dia Mundial da Conscientização do Autismo e, divulgou campanhas a serem aplicadas pelos países membros. Entretanto, o país ainda se encontra incapaz de incluir os autistas de forma digna, devido a fatores familiares e de saúde pública, tanto que impedem a socialização dessas pessoas.
Em primeiro lugar, a falta de aceitação do meio familiar, em relação àquele com Transtorno do Espectro Autista, inviabiliza a inserção na sociedade. Nessa perspectiva, o escritor Gilberto Freyre, em sua obra “Casa- Grande e Senzala”, disserta que o Brasil foi formado a partir do modelo de sociedade burguesa, que repudiava toda forma de deficiência que mudasse o padrão familiar. Dessa forma, a cultura da família perfeita e com sentimentos preconceituosos, permanece enraizada no país desde a sua colonização, já que ainda não há aceitação do autismo, o que acarreta descaso parental acerca da integração dos autistas no cotidiano da família e também na criação de laços de amizade.
Outrossim, o conhecimento a respeito da síndrome é, ainda, muito superficial e, assim sendo, as autoridades públicas mostram-se ineficazes no tratamento. Nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, segundo o qual algumas instituições perderam sua função social, mas que tentam manter a sua forma. Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) se enquadra nessa teoria de Bauman, na medida em que é ineficiente no diagnóstico e, junto à falta de profissionais capacitados para o tratamento do autismo. Com isso, consequências irreversíveis no sistema cognitivo desses indivíduos surgem e, logo, tornam maiores os impasses de convivência.
É preciso, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de se haver maior inclusão dos autistas. Cabe ao Ministério da Saúde, possibilitar o acompanhamento, por meio de assistentes sociais que acompanhem os autistas desde a infância, para que lhes seja garantido um bom desenvolvimento e, assim, a sua inclusão. Aos indivíduos, por sua vez, devem denunciar quem cometer atitudes preconceituosas, por intermédio das mídias sociais, para que essas pessoas possam ser incluídas dignamente e se socializarem.