Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 09/08/2018

Hodiernamente, os obstáculos para a inclusão de indivíduos acometidos pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma desordem no desenvolvimento do cérebro, são persistentes e configuram-se como uma problemática de cunho social. Isso se deve, sobretudo, à ineficiência na execução de leis que asseguram os portadores do autismo, bem como à discriminação voltada a esses, por parte de sujeitos, por vezes, desinformados. Nesse sentido, são necessárias ações conjuntas do Poder Público, da mídia e das instituições formadoras de opinião, visando à resolução desses problemas.

Em verdade, existe um código jurídico, Lei Berenice Piana, regulamentada em 2012, que aborda e institui a proteção dos direitos da pessoa com espectro autista, garantindo assistência à saúde desses civis. No entanto, essa diretriz não é levada em consideração em grande parte do Brasil, haja vista as dificuldades enfrentadas pela medicina para realizar um diagnóstico precoce, assim como a falta de tratamento adequada para abranger, no País, mais de 2 milhões de indivíduos que possuem esse distúrbio neurológico, segundo a ONU. Consoante isso, é perceptível que tal parcela da população, por não receber atenção adequada para ser incluída socialmente, ocupa uma lacuna a ser preenchida por ofertas de políticas públicas humanizadas.

Ressalta-se, ainda, que a síndrome neuropsiquiátrica supracitada é vista, muitas vezes, com preconceito e desprezo. A exemplo disso, pode ser citado o seriado da Netflix, “Atypical”, cujo enredo retrata o drama de um adolescente autista, que possui dificuldades de socialização e expressão corporal, sofrendo, por exemplo, com o bullying na escola. Nessa perspectiva, é notório que essa situação transpassa o mundo cinematográfico e é refletida na vida real, na qual muitos sujeitos são rotulados como dementes e excluídos do convívio social por serem autistas. Desse modo, faz-se necessário o envolvimento de bases formadoras que desmistifiquem o cenário que se mostra insuficiente para auxiliar e dar suporte aos que possuem esse transtorno.

Diante disso, é essencial que impasses sejam revertidos. Para tanto, o Poder Público, em parceria com o Ministério da Justiça, deve fiscalizar a execução das leis que protegem pacientes com TEA, além de investir em pesquisas nessa área, a fim de aprimorar os diagnósticos e ampliar o acesso a tratamentos com profissionais capacitados. Ademais, os veículos midiáticos, juntamente as instituições de ensino, têm a responsabilidade de realizar campanhas que repercutam informações sobre o autismo e combatam qualquer tipo de discriminação, com o fito de mostrar disponibilidade para apoiar e inserir em qualquer espaço público aqueles que sofrem com maus tratos e exclusão. Só assim, consolidar-se-á o desejado progresso coletivo.