Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 08/08/2018

A série norte-americana Atypical retrata a história de um jovem autista, Sam Gardner,  e sua convivência com as pessoas a seu redor durante o período de seu ensino médio. Em tal produção são evidenciadas as dificuldades que as pessoas com autismo possuem para conviver em sociedade. Apesar da série se passar nos Estados Unidos, pode ser analisada sob o contexto brasileiro, em que o corpo social impõe os mesmos obstáculos para a população com referida doença demonstrando o quão desafiante é a inclusão dessa parcela da sociedade brasileira no século XXI. Decerto, é inegável os desafios impostos à tal inclusão sendo resultados de uma sociedade preconceituosa que corrobora para uma proteção familiar excessiva que impedem que tais desafios deixem de existir.

Mormente, a discriminação sofrida por essa parcela da população é resultado de uma sociedade desinformada e altamente preconceituosa, o que dificulta a inclusão. Sob tal ótica, o físico alemão Albert Einstein afirma que " é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito". Dessa forma, ao se analisar o pensamento ocidental como proveniente dos ideais da Grécia Antiga, em que qualquer forma de deficiência era rejeitada, é possível afirmar que tais ideologias persistem em influenciar a sociedade brasileira, uma vez que o autismo ainda é visto como algo surreal e os seus portadores tidos como loucos, o que torna a inclusão ainda mais desafiante.

Outrossim, em decorrência desse corpo social discriminatório, a inclusão é dificultada por famílias super protetoras receosas em incluir seus filhos com o espectro autista na sociedade. Assim como na produção Atypical, em que o jovem Sam teve de enfrentar sua família para poder participar de atividades comuns aos jovens de sua idade, a realidade da maioria dos autistas brasileiros é semelhante e, dessa maneira, tem sua incorporação dificultada. A título de exemplo, uma pesquisa feita em 13 centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) na Região Metropolitana do Rio de Janeiro revela que 48% dos autistas de 4 a 17 anos estão fora das salas de aula, sendo resultado de uma superproteção familiar que atrapalha na inclusão social dessa população.

Infere-se, portanto, que a inclusão de pessoas com autismo no Brasil é desafiante devido a uma sociedade preconceituosa que corrobora para uma superproteção familiar. Não obstante, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos que, em conjunto com o Ministério da Educação, promova a instrução da juventude a respeito do autismo, por meio de campanhas em escolas primárias e de ensino médio, para instruir a sociedade a respeito da questao e, com isso, diminuir o preconceito e propiciar a inclusao. Dessa maneira, a populacao autista brasileira deixará de ser esquecida e será incluída no corpo social, de forma gradativa e eficaz, e a discriminacao deixará de ser uma realidade.