Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/08/2018
Desde a Revolução Francesa, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro, verifica-se isso no lema, baseado nos ideais iluministas, que levou a tal revolução - liberdade, igualdade e fraternidade-. No entanto, quando se observa os desafios da inclusão de pessoas com autismo, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal presente no lema é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Sendo assim, urge a necessidade de refletir no decurso da história quais obstáculos se fizeram presentes para assim propor ações que possam reverter esse nefasto cenário.
A priori, durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu o holocausto, uma perseguição e extermínio de negros, judeus, homossexuais, deficientes físicos e mentais, pelo governo nazista. Desse forma, é notório que prematuramente a invisibilidade seletiva é pertinente na sociedade. Nesse contexto, vale ressaltar que o conhecimento das pessoas a respeito do síndrome, ainda á raso, fato que dificulta a inclusão dos autistas na sociedade.
Sob esse viés, a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura que saúde e educação é direito de todos. No entanto, segundo o site UOL, 90% dos brasileiros com autismo não recebem o diagnóstico, o que mostra a fragilidade nas políticas públicas, que carece de assistência. Além disso, os estudantes com autismo precisam de acompanhamento especial na escola, para que seja feito um processo gradual e contínuo, com um tutor presente durante os estudos, fato que não acontece, devido a precarização do sistema público de ensino. Nessa perspectiva, o Estado precisa agir para que, segundo o contratualista John Locke, não viole o ‘‘contrato social’’ e faça com que os indivíduos gozem de seus direitos imprescindíveis.
Por conseguinte, o Ministério da Educação deve realizar parcerias com as escolas, oferecendo cursos de capacitação aos profissionais da educação, para que possam estar aptos a receber e ter habilidade para ensinar alunos com autismo, aumentando assim a troca de conhecimentos e diminuindo as diferenças. Além disso, a mídia, com seu poder persuasivo, deve realizar campanhas de conscientização e inclusão, apresentando para as pessoas o autismo, quais são os primeiros sinais e como proceder. Por fim, é imprescindível que o Ministério da Saúde realize investimento para oferecer um diagnóstico preciso e tratamento de qualidade para esse indivíduos. Só assim esse problema será gradativamente minimizado no país. E como disse Oscar Wilde:“O primeiro passa é o mais importante para a evolução de um homem ou nação.’’