Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 07/08/2018

Há várias décadas em que a espécie humana vem enfrentando uma enfermidade preocupante: o Transtorno do Espectro Autista. Segundo dados da Revista Autismo, essa síndrome, que altera o comportamento sociocomunicativo do portador, já foi diagnosticada em cerca de 70 milhões de pessoas no mundo e só no Brasil são aproximadamente 2 milhões de casos. Embora seja uma doença que afeta vários indivíduos, há, ainda, dificuldades no diagnóstico e no acesso ao tratamento, que é limitado. Além disso, ocorre a exclusão da pessoa com Transtorno do Espectro Autista do âmbito social, devido às limitações comunicativas. Logo, esses são alguns dos desafios enfrentados pela pessoa autista.

De fato, a síndrome ainda é de difícil diagnóstico, pois nem com teste genético é possível a sua determinação. Entretanto, o médico psiquiatra e/ou neurologista podem determinar o estado clínico do paciente e o grau do transtorno. Embora isso seja garantido pela Lei 12.764, que institui a proteção dos direitos dos autistas e dá direito integral às necessidades de saúde, na prática ainda há barreiras que impedem o cumprimento de tal direito, como a falta de profissionais especializados no diagnóstico e tratamento e a pequena participação da sociedade na criação de políticas públicas voltada à causa.

Além disso, é preciso ressaltar que, por alterar aspectos comunicativos do indivíduo, a pessoa com o Transtorno do Espectro Autista possui uma interação comunicativa e social limitada. Ainda que essa alteração seja uma consequência normal da doença, é comum a exclusão social do autista pela comunidade, visto que possui diferenças na linguagem, nos processos de comunicação, na interação e no comportamento social. Por isso, é necessário que as atitudes estigmatizadoras e que isolam os portadores de autismo da socialização sejam condenadas, a fim de que possam ser vistos como um indivíduo digno de ter acesso à educação, ao emprego e ao convívio social, como qualquer pessoa.                   Portanto, essa síndrome tem que ser identificada e tratada corretamente, visando a diminuição dos efeitos da doença e a atenuação do quadro clínico. Da mesma forma, a inserção do autista no convívio social é extremamente fundamental, para que possam ter mais qualidade de vida. Sendo assim, cabe ao Poder Público e ao Ministério da Saúde incentivar e investir em pesquisas que possam melhorar tanto o diagnóstico quanto o tratamento, proporcionando conhecimento e subsídios a pesquisadores e médicos, além de promover debates e palestras que enriqueçam esses profissionais, a fim de que a Lei 12.764 possa ser cumprida.  Ademais, é função da mídia e das escolas incentivar a desconstrução do preconceito e da exclusão social, proporcionar debates, campanhas educacionais e atividades inclusivas, que busquem incluir e fortalecer o respeito à diversidade, pois só assim as barreiras enfrentadas pelos autistas brasileiros poderão vir a ser superadas.