Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 31/07/2018
“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se metamorfoseado num inseto monstruoso”. De modo análogo à obra “A Metamorfose”, de Franz Kafka, indivíduos autistas enxergam-se como não-humanos, uma vez que encontram entraves, por parte do corpo social, na busca à harmonia individual. Desse modo, os impasses na integração dos autistas evidenciam um país promíscuo e uma sociedade ignorante sobre a heterogeneidade nacional.
Em primeira instância, consoante ao poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, o descaso com os autistas não é uma problemática hodierna. Sob tal perspectiva, cabe destacar que, no limiar do século XX, inúmeros sujeitos portadores de distúrbios neurológicos, como Autismo e Síndrome de Down, foram internados no tenebroso “Manicômio de Barbacena”, onde eram torturados, ora com violência física, ora com agressões psicológicas. No entanto, um século passou-se, a medicina evoluiu; e, ainda, são recorrentes ocorrências de desprezo social perante os autistas, visto que, majoritariamente, são privados de atividades básicas, como a aprendizagem escolar. Logo, o vetor cronológico denota o quão pueril é acreditar que, no Brasil, todos são tratados da mesma forma.
Outrossim, é indubitável que o “Bullying”, no ambiente pedagógico, amplifica os desafios à inclusão social dos sujeitos com autismo. Nesse viés, é válido salientar os tópicos acerca do bullyng abordados na obra “Extraordinário”, da autora Raquel Jaramillo, em que Auggie, um garoto “diferente”, sofre inúmeras com inúmeras chacotas providas de seus novos colegas, mas que - com o auxílio de seu carisma - integra-se à pequena comunidade estudantil. Contudo, em contra-partida, jovens autistas convivem, no Brasil, com uma realidade distorcida à da ficção literária, visto que a Federação não demonstra uma ávida preocupação com esses estudantes. Destarte, portadores de autismo encontram, em suas primeiras oportunidades de socialização, entraves advindos da negligência governamental.
Infere-se, então, que medidas cabais devem ser efetivadas à sanação do impasse. Para isso, o Ministério da Educação deve construir creches com estrutura adequada para o recebimento de crianças portadoras de distúrbios neurológicos, com profissionais da área da saúde e pedagogos capacitados. Dessa forma, pais de pequenos autistas conduzirão seus filhos, desde cedo, a socialização infantil, instigando o desenvolvimento de suas características coletivas. Para mais, o Ministério da Saúde deve outorgar prioridades no atendimento pediátrico a crianças autistas, haja vista que essas possuem maiores necessidades médicas do que crianças livres de enfermidades. Somente sob tais circunstâncias, a nação verde e amarela dará passos mais rápidos na busca da inclusão dos autistas.