Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/08/2018

Autismo: um olhar singular

“Atypical” é uma série que narra a adaptação de um adolescente com autismo aos padrões da sociedade, levando-nos a perceber como é difícil para o autista interagir socialmente e como a doença impacta no cotidiano de todos ao seu redor. Observando fora da tela, o transtorno é um impasse que não há muita visibilidade no Brasil. Sem dúvidas, é preciso um esforço coletivo da sociedade para que o portador do autismo seja envolvido como um cidadão comum, porém a dificuldade de obter um diagnóstico precoce e o acesso limitado aos meios de inclusão, impedem que os paradigmas sejam quebrados. Primeiramente, é importante ressaltar, que quanto mais tardio o diagnóstico feito por um médico, mais difícil é o tratamento do portador. De acordo com a ONU, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas são portadoras do autismo no Brasil, inclusive, uma parcela desses casos são negligenciados pelo poder da saúde pública no país, pois quando famílias procuram pelo atendimento profissional com suspeitas da doença, encontram-se desamparados com a incerteza de um veredito final. Assim, a perca da fidelidade em profissionais especializados afeta um marco incontável de pessoas que por desconhecimento do transtorno sofrem diariamente com o peso de uma doença sem o tratamento adequado. Outrossim, vale observar, que a inclusão se dá quando os direitos são respeitados. No entanto, a Lei do Autismo, aprovada em 2012, reconhece o transtorno espectro autista como uma deficiência e, entre tantas coisas, garante o direito do acesso ao atendimento profissional especializado, o diagnóstico precoce e tratamento adequado, e matrículas em escolas regulares sob pena em casos de restrição. Todavia, na prática, os direitos públicos de pessoas portadoras de autismo ainda é invisível tratando-se de educação e saúde, áreas fundamentais para o envolvimento de um indivíduo na sociedade, mas que carecem de equipamentos e disponibilidade de profissionais especializados, distanciando o autista de uma vida autônoma com equidade. É necessário, portanto, romper o preconceito gerado pela falta de conhecimento, respeitando os direitos públicos decretado por lei. Antes de tudo, o Governo Estadual, junto às escolas, deve investir no incentivo à especialização de profissionais capacitados para o diagnóstico, na contratação de tutores, oferta de materiais apropriados para o desenvolvimento intelectual e na disponibilidade de centros de atenção psicossocial (CAPS), para assim, facilitar a adaptação do portador de autismo na sociedade de maneira mais autônoma dentro de suas limitações e apoiar as famílias no processo de aceitação despertando um olhar singular para as diversas situações impostas pela doença. Como diz o ativista Gandhi, “tolerância não significa aceitar o que se tolera”.