Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 25/07/2018

Catalisador social

Em seus estudos, o sociólogo alamão Max Weber defende que o processo de entendimento da realidade social seria possível por meio da interpretação das ações dos indivíduos. Sob essa ótica, os desafios enfrentados com inclusão de pessoas com autismo no Brasil exigem uma discussão mais ampla, haja que a problemática persiste intrinsecamente relacionada à realidade do país, seja pelo preconceito ainda presente, seja pela individualidade exacerbada dos indivíduos. Nesse sentido, é conveniente analisar as principais consequências de tal contexto para o meio social.

Em primeiro plano, é indubitável que a questão da discriminação contra indivíduos autistas esteja entre as causas do problema. Isso ocorre porque durante a Segunda Guerra Mundial, com a ascensão do nazismo, houve a disseminação de ideologias de caráter preconceituoso contra pessoas portadoras de doenças, fato que pendura até os dias hodiernos, uma vez que tornou-se comum associar a imagem da pessoa autista à ideia errônea de incapacidade. Por consequência, a inclusão e integração desses indivíduos em ambientes como escolas e no mercado de trabalho diminuíram consideravelmente.

Outrossim, destaca-se o individualismo da sociedade como impulsionador do impasse. Tal fato decorre porque conforme destaca o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, as pessoas buscam cada vez mais não se envolver nas relações interpessoais, o que potencializa a individualidade e, por conseguinte, favorece o desconhecimento acerca da síndrome, assim como contribui para perpetuar o preconceito, a discriminação e a segregação do público afetado pelo autismo.

Diante dos fatos supracitados, torna-se necessária a participação do Estado e da mídia no problema. Para tanto, é imperativo que o Ministério da Educação, junto com a Secretaria de Educação, promova a criação de um programa escolar nacional que proporcione a inclusão de crianças autistas em escolas de ensino regular, por meio de professores adaptados à educação inclusiva e de atividades integradoras, a fim de viabilizar o contato, a aprendizagem e a socialização de tais indivíduos. Ademais, a mídia deve, por intermédio de novelas e seriados, desconstruir a ideia equivocada presente na sociedade de que pessoas autistas são incapazes de realizar atividades cotidianas, com intuito de sensibilizar a população contra o preconceito à autistas, bem como propiciar um maior conhecimento sobre a síndrome para assim, mitigar a discriminação e o individualismo. Assim, Estado e mídia poderão atuar como catalisadores, contribuindo para aumentar a velocidade da reação social de combate à problemática.