Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/07/2018

Em 1943, Léo Kanner, psiquiatra austríaco, descreveu pela primeira vez o Transtorno do Espectro Autista como um distúrbio neurológico grave que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir. Nesse sentido, apesar de todos os avanços sociais e medicinais, os portadores dessa doença continuam enfrentando desafios diários. Logo, com a finalidade de compreender o problema e alcançar melhorias, basta observar os obstáculos existentes no âmbito educacional e no mercado de trabalho.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Todavia, isso não reflete o atual cenário brasileiro, uma vez que, geralmente, as escolas regulares não possuem condições para garantir a plena inclusão do deficiente. Vale salientar que, isso advém de uma equipe profissional despreparada e de um modelo avaliativo educacional que ao invés de estimular o conhecimento, concentra-se no contexto quantitativo. Com isso, de acordo com estudo realizado pela Universidade de São Paulo, estima-se, que 48% dos autistas de 4 a 17 anos, no Rio de Janeiro, estão fora das salas de aula. Assim, nota-se uma incoerência com a frase de Aristóteles, a qual diz que a base da sociedade é a justiça, posto que os direitos dos portadores de autismo, como a educação, estão sendo negligenciados.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que, apesar da existência de políticas públicas que garantem a inclusão do autista no mercado de trabalho, a inserção não acontece como deveria. Isso ocorre, sobretudo, devido ao preconceito social, oriundo da escassa informação a respeito da síndrome. Por conseguinte, ao ser tratado com distinção, o indivíduo não consegue desenvolver suas potencialidades e autonomia. Para ilustrar, o jogador Lionel Messi, apesar de possuir a Síndrome de Asperger, conhecida como uma forma branda de autismo, foi considerado quatro vezes o melhor jogador de futebol do mundo. Destarte, constata-se que excluí-los do grupo profissionalmente ativo é atentar contra o direito a oportunidades iguais na sociedade.

Nesse sentido,ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o quadro negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe, por meio de fiscalizações, aplicar medidas corretivas, como multas punitivas, nas instituições que não adaptarem as instalações escolares para que os estudantes se sintam menos distantes e arredios, além de oferecerem cursos gratuitos voltados aos profissionais educacionais, acerca das maneiras certas de lidar com a síndrome, com o objetivo de garantir o pleno acesso à educação. É imprescindível, também, que as organizações públicas e privadas, ofereçam cursos internos de capacitação, direcionados aos funcionários autistas, que orientem e viabilizem o ingresso desse grupo no mercado de trabalho, com a finalidade de estimular suas peculiaridades.