Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/07/2018
Machado de Assis em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” expõe, por meio da aversão do autor-defunto em relação à deficiência física, pela expressão “por que bela se coxa?”, a maneira como a sociedade vigente lida com os deficientes. Apesar das conquistas desse grupo em relação aos seus direitos constitucionais, a inclusão de pessoas com autismo, ainda é um desafio o qual ocorre, devido não só à negligência governamental, como também, pelo preconceito por parte da sociedade.
Mormente, é preciso relatar que a criação da legislação Berenice Piana foi um grande passo no que tange à inserção das pessoas com Transtorno do Espectro Autista, todavia, o lento progresso no descobrimento da origem desse distúrbio pelo âmbito científico e a pouca disponibilidade de tratamento consentâneo para atender essa demanda, faz com que os seus direitos sejam poucos efetivados. Consoante Thomas Hobbes, é imprescindível que o Estado, instância reguladora superior a todos, seja provedor de subsistência digna para os seus cidadãos, logo, verifica que esse conceito encontra-se corrompido no Brasil à medida que, o Poder Executivo não oferta apenas um tratamento propício, como também profissionais especializados no cuidado com autistas, sobretudo, nos setores escolares, fazendo os direitos permanecerem apenas no papel.
Convém mencionar, que pode-se apontar como um empecilho na inclusão de pessoas com autismo, reconhecido por mecanismos legais, o preconceito enraizado em parte da sociedade. Lamentavelmente, a discriminação persiste em razão dos padrões criados pelo corpo coletivo, porquanto, segundo o filósofo e jurista Norberto Bobbio , o preconceito constitui-se de um conjunto de opiniões errôneas que é aceita passivamente, sem passar pelo crivo do raciocínio, da razão. Desse modo, os deficientes autistas por apresentarem dificuldades de comunicação, são vistos muitas vezes, como pessoas de menor capacidade intelectual, sendo excluídos pela maioria, o que dificulta não somente a inclusão social, mas também, o acesso à educação condigno.
Diante dos fatos supracitados, é impreterível que a Escola promova a formação de cidadãos conscientizados que respeitem às diferenças e valorizem a inclusão, por intermédio de palestras e debates a respeito desse tema, visando ampliar os conhecimentos acerca das deficiências. Ademais, é indispensável que o Estado destine maiores investimentos à capacitação de profissionais especializados no ensino inclusivo, tal como, a criação de mecanismos para implantarem políticas de saúde pública para o tratamento e o diagnóstico do autismo. Somando- se a isso, é preciso de ações midiáticas com o fito de ampliar o conhecimento sobre os autistas e a importância da sua inclusão, para reverter um passado de exclusão e preconceito narrado por Machado de Assis.