Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 13/08/2018
O filme “Uma viagem inesperada”, conta a história de Corine, uma mãe que enfrenta vários obstáculos para garantir a inclusão educacional dos seus filhos gêmeos, ambos autistas. Consoante à trama, essa é a realidade da maioria dos portadores desse transtorno no Brasil. Nesse contexto, a inaplicabilidade da lei, o preconceito e a discriminação ainda são barreiras para a inclusão das pessoas autistas.
Em primeira instância, vale frisar que, de acordo com o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, mas na prática, não é o que ocorre, visto que menos de 30% dos brasileiros autistas estão na escola. Isso acontece porque o sistema público de educação resiste às mudanças, faltando preparações pedagógicas que auxiliem no desenvolvimento do aluno autista, sendo que, na inclusão não é a criança que se adapta à escola, mas a escola que para recebê-la deve se transformar. Nesse sentido, é inquestionável que a escola atual não é feita para todos.
Além disso, há certa alienação da sociedade no que diz respeito a essa deficiência. Embora, segundo a ONU, o número de diagnosticados ultrapasse 2 milhões. Dessa forma, é perceptível que o estigma da deficiência é grave, transformando as pessoas autistas em seres incapazes, sem direitos, sempre deixados para o segundo lugar na ordem das coisas. Por conseguinte, essa ideia atrelada ao preconceito prevalece e dificulta a inclusão dos mesmos no âmbito social.
Portanto, medidas públicas são necessárias para alterar o cenário atual. Em razão disso, o Ministério da Educação em parceria com o Governo Federal, devem transformar o ensino público, oferecendo através de cursos especializados, a capacitação dos educadores, com o objetivo de proporcionar aos autistas a integração educacional. Ademais, as empresas televisas e mídias sociais, devem incluir em novelas, filmes, exemplos de pessoas com autismo e as dificuldades sofridas pelos mesmos, a fim de promover a conscientização da sociedade em relação a essa deficiência. Só assim será possível a inclusão dessas pessoas no convívio social.