Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 16/07/2018
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico em que o mau funcionamento de uma das partes provoca um colapso total. Paralelamente a isso, no Brasil, ainda há desafios de inclusão de pessoas com autismo que são negligenciadas pela sociedade. Portanto, é necessário que, através da educação e da saúde, os preconceitos com autistas sejam sanados, visto que esse problema seja atual, conquanto tenha arraigados fatos históricos com consequências pautadas no socioculturalismo.
Em primeira análise, historicamente inferindo, no século XX funcionava o manicômio Colônia em Barbacena, Minas Gerais, onde pessoas com transtornos mentais sofriam graves violências como tratamentos de choque, por exemplo. Como também, viviam em condições extremas de descaso, a superlotação era desculpa para as condições desumanas que enfrentavam, com falta de alimentos, em meio a sujeiras, esgoto a céu aberto, dentre outros. Com isso, não só no passado, como também na contemporaneidade, pessoas com transtornos mentais, como o autismo, enfrentam preconceitos diversos refletidos pela educação. Com efeito na falta de escolas, públicas e particulares, com salas de aula regulares com o acompanhamento terapêutico necessário para os autistas e também a falta de profissionais habilitados para recebê-los.
Ademais, de acordo com o CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos, hoje existem 1 caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, possua cerca de 2 milhões de autistas. Junto a isso, alguns responsáveis por crianças autistas não podem pagar o tratamento terapêutico, pelos preços elevados, recorrendo ao tratamento público. Mas a negligência no sistema único de saúde, SUS, obriga-os a esperarem, as vezes anos, na fila de espera para conseguirem terapia para os filhos, o que não é recomendável porque quanto mais cedo tratado melhor para que o problema não se desenvolva mais. Dessa forma, com esse adiamento terapêutico, torna-se mais difícil a interação social dos autistas, que acabam sofrendo as consequências da piora do problema na comunicação, agressividade, por exemplo, estando à margem de preconceitos por serem considerados diferentes de um padrão imposto socialmente.
Destarte, é necessário que haja uma mudança educacional e na área da saúde. Para isso, o Governo Federal, em coadunação com o Ministério da Educação, deve tornar as escolas públicas ambientes adequados para os autistas. Agindo por intermédio de profissionais e salas que os incluam com excelência no ambiente escolar. Além disso, o Ministério da Saúde deve tomar medidas que aprovem investimentos no SUS em tratamentos qualificados para os autistas melhorando sua qualidade de vida.