Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 13/07/2018
De acordo com o filósofo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância, de modo que ultrapassa a da própria existência. Dessa forma, é mais importante viver bem do que simplesmente viver. Entretanto, no Brasil, as pessoas com autismo padecem com a falta de inclusão nos ambientes sociais, fruto do despreparo de muitas escolas e empresas, no tocante ao tratamento especializado.
Sob a ótica do pensador Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. No entanto, muitos jovens autistas encontram dificuldades em socializar no colégio e acabam por se isolar dos grupos, o que lhes prejudica o aprendizado, a comunicação e a expressão, haja vista a carência de conhecimento sobre a síndrome em questão entre os alunos e muitos professores. Além disso, muitas instituições de ensino não dispõem de infraestrutura adequada para educar com qualidade esses cidadãos especiais por meio de atividades lúdicas que propiciem a integração e o espírito de fraternidade, como artes marciais, futsal, teatro e música.
Outrossim, os adultos portadores de autismo também enfrentam as dificuldades, como a inserção no mercado de trabalho, devido à escassez de suporte especializado nas empresas, a saber: falta de psicólogos que possam treinar todos os funcionários, inclusive os autistas, para que a acessibilidade seja fornecida e todos gozem de um convívio harmonioso e respeitoso. Ademais, muitas firmas nem sequer contratam essas pessoas, justamente para evitar maiores investimentos. Consequentemente, essas minorias ficam à margem da sociedade, o que dificulta ainda mais o tratamento da síndrome.
Por fim, de acordo com a Lei da Inércia, de Newton, um corpo tende a permanecer no seu estado inicial até que uma força atue sobre ele, mudando seu rumo. Portanto, é imprescindível que o MEC, juntamente com as Secretarias de Educação, promova, nas escolas públicas e privadas que não possuem os serviços, cursos extracurriculares de música, artes cênicas, lutas e futsal, bem como estruture os colégios com quadras e salas equipadas e professores capacitados para inserir os autistas nesse processo e instruir os outros indivíduos à adaptação solidária. Paralelamente, é necessário que o Ministério do Trabalho, no intuito de oportunizar emprego a essas minorias, destine uma porcentagem mínima de vagas em cargos públicos aos portadores de autismo, com apoio psicológico especializado a eles e aos outros servidores, para que possam desenvolver as atividades com tolerância e eficiência.