Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/07/2018

A Constituição de 1988 trouxe consigo inúmeros direitos às pessoas com necessidades especiais, todavia, ainda são muitos os desafios da inclusão dos indivíduos com autismo no Brasil. Para melhor análise dessa questão, é fundamental considerar o desconhecimento social relacionado à doença, bem como a discriminação sofrida por essa parcela da sociedade. Logo, intervenções governamentais e midiáticas com vistas à superação dos obstáculos vividos pelos autistas são essenciais.

Nesse contexto, a falta de conhecimento da sociedade a respeito do transtorno do espectro autista, doença a qual, de acordo com a Organização das Nações Unidas, acomete cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, é um dos maiores impedimentos do pleno exercício da cidadania pelos indivíduos com autismo. Assim, a desinformação traz como consequência a falta de diagnóstico, e, por conseguinte, dos devidos cuidados requeridos pela pessoa com o transtorno, como observado no livro do escritor Nicholas Sparks, “Querido John”, cujo protagonista desconhece o motivo do comportamento diferenciado do pai, o qual, por ser autista, necessitava de um tratamento adequado em prol de uma melhor qualidade de vida.

Outrossim, o preconceito vivido pelas pessoas com autismo torna ainda mais árduo o processo de socialização, essencial para qualquer ser humano, e vai de encontro à inclusão prevista na Carta Magna Brasileira de 1988. Dessa forma, cenas como a observada no seriado americano “The Good Doctor”, que se inicia com a contrariedade da maioria dos responsáveis por um hospital em contratar um médico extremamente habilidoso com transtorno de espectro autista, são comuns na sociedade do Brasil, a qual ainda vê nos autistas indivíduos inaptos à vivência cotidiana.

Diante do exposto, medidas do governo e da mídia com o fito de superar os entraves vividos pelas pessoas com autismo são fundamentais. Portanto, é de responsabilidade do Ministério da Saúde promover campanhas de alerta mediante a realização de eventos de conscientização do autismo, os quais contenham debates e palestras acerca dos sintomas da doença e dos cuidados requeridos, com a finalidade de facilitar o diagnóstico e o tratamento dos indivíduos acometidos pelo transtorno. Ademais, cabe aos canais televisivos, grandes influenciadores da mentalidade social, tornar mais acessível informações acerca do autismo, por intermédio da apresentação de personagens com a doença em novelas e filmes, juntamente com a importância de sua socialização e tratamento, a fim de, com o conhecimento, combater o preconceito.