Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/07/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido:“Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas para garantir a inclusão de pessoas com autismo no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente a falta de conhecimento acerca da síndrome, bem como a necessidade de medidas governamentais para resolver o impasse.

É indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência impulsionam o problema. Segundo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, de modo que para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam efetivados. Entretanto, apesar da existência de uma lei que assegura a proteção dos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista, é notório que esse ideal dukheimiano ainda não é firmado. Destarte, é mister afirmar que a regra desamparada não muda a realidade, visto que é ineficiente sua fiscalização e aplicação, fazendo com que os portadores da síndrome fiquem à margem da sociedade.

Ademais, o pouco conhecimento sobre o autismo dificulta a inclusão desses indivíduos. Apesar dos diversos avanços da ciência decorrentes terceira fase da Revolução Industrial, no limiar do século XXI o diagnóstico da síndrome é impreciso, e até mesmo um exame genético não é capaz de afirmar com precisão. Além disso, a baixa informação que a sociedade recebe a respeito agrava o problema, já que existem pessoas que são diagnosticadas como autistas somente na fase adulta, enfrentando, após o diagnóstico, também a falta de profissionais capacitados para realização de um tratamento eficaz.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de medidas que visem a construção de um Brasil melhor para os autistas. Desse modo, a Polícia Civil deve promover a aplicação da lei supracitada, de forma rigorosa, investigando e punindo efetivamente os infratores. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve implementar nas universidades da área de saúde uma matéria específica para o estudo do autismo, a fim de capacitar melhor os futuros profissionais no tratamento dessa síndrome e atrair novos interesses na pesquisa desse transtorno. Outrossim, a mídia, em parceira com o MInistério das comunicações, deve divulgar propagandas de cunho educativo, informando a sociedade acerca do autismo, além investir em novelas e filmes que incluam personagens autistas, demonstrando suas dificuldades em ser inserido em sociedade e mostrando que todos têm o que aprender com eles. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.