Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/07/2018

Desde antes da chegada das frotas lusas no território brasileiro, têm-se como comum a prática do infanticídio por tribos indígenas. Até os dias atuais, muitas dessas tribos ainda mantêm o costume de enterrarem vivas as crianças nascidas com deficiência física ou mental devido ao fato de essas não poderem ter uma vida normal. Do mesmo modo, na sociedade contemporânea, as pessoas com autismo são “punidas” com uma série de limitações de integração nos diversos âmbitos da sociedade, seja durante a infância nas escolas ou, quando adultas, no mercado de trabalho, o que gera uma problemática importante a ser debatida.

Segundo São Tomás de Aquino, todos os seres são merecedores de igualdade de direitos e tratamento. Apesar de tal citação, muitas pessoas diagnosticadas autistas encontram dificuldades no momento de busca por oportunidades de trabalho. Devido às suas limitações, que podem ser variadas, o nível de rejeição no ato de contratação desses ainda é elevado. Dentre as causas da contínua rejeição no âmbito laboral, encontra-se a falta de leis que incentivem as empresas a contratarem tais profissionais ou que exijam um percentual de empregados com essa síndrome, o que torna ainda mais difícil a inclusão de autistas na sociedade.

Além disso, um ambiente onde há constante exclusão de autistas é a escola. Segundo Freud, as experiências tidas durante a infância refletem diretamente no comportamento durante a vida adulta. Apesar disso, muitos autistas são alvos de bullying, prática essa comum entre crianças e adolescentes que tendem a isolar, humilhar ou agredir a quem é tido como diferente. A persistência desse preconceito no ambiente escolar é reflexo direto da falta de preparo dos profissionais, que não possuem informações suficientes para lidarem com a criança autista, além da falta de informação aos demais alunos praticantes do bullying.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de amenizar o impasse. Cabe, então, ao Poder Legislativo, a elaboração de leis que assegurem a empregabilidade de autistas, seja por meio da criação de cotas ou por incentivos diversos às empresas, a fim de ampliar a inclusão de autistas no âmbito laboral. Além disso, cabe ao Ministério da Educação a elaboração de cursos direcionados aos professores e servidores das escolas e universidades, a fim de capacitá-los para a inclusão de alunos autistas nos ambientes de ensino. Desse modo, pode-se colocar em prática a citação de São Tomás de Aquino, oferecendo os mesmos direitos e o mesmo tratamento a todos os cidadãos.