Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 13/07/2018

Platão, filósofo clássico, em uma de suas obras retrata a vida de pessoas que nasceram e viveram em uma caverna na qual o único vinculo delas com a realidade foram sombras que refletiam de fora para dentro da guarida. De forma análoga, os autistas são limitados a crescer em sua própria caverna, sua mente. Nesse sentido, tanto suas dificuldades de interação social quanto a falta de apoio governamental são óbices para a inclusão desses indivíduos na sociedade.

De acordo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, em seu artigo 34, o portador de necessidades especiais tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, além de igualdade de oportunidades com os demais empregados. No entanto, nota-se que mesmo com a referida lei o deficiente ainda continua fora do mercado de trabalho. Uma vez que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência e apenas 403.255 desses deficientes estão empregados  — o que corresponde menos de 1% do total dos portadores.

Ademais, outros problemas como o diagnóstico tardio da doença e a falta de tratamentos gratuitos na rede pública de saúde mitigam as chances da inclusão desses indivíduos em ambiente social. Isto porque se a pessoa não for diagnosticada precocemente o grau da doença (spectro) aumenta dificultando o tratamento e, consequentemente, o seu convívio com a coletividade.

Dessa forma, a falta de investimento para a inclusão, assim como o preconceito no mercado de trabalho são barreiras enfrentadas diariamente pelos autistas. Logo, é necessário preparar os médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizarem diagnósticos prematuramente através de um curso de capacitação. Além disso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar tratamentos gratuitos em todos os Estados brasileiros com terapias comportamentais para estimular a interação e, porque não, talentos. Talvez assim, os autistas possam sair da caverna de Platão.