Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/06/2018
Na telenovela da rede Globo “Amor à vida”, produzida pelo escritor Walcyr Carrasco, a personagem Linda é representada como uma portadora do autismo, que encontra dificuldades de se encaixar coletivamente na sociedade em questão. Fora da teledramaturgia brasileira, percebe-se que inúmeras famílias convivem, diariamente, com o drama da exclusão social que envolve os portadores do autismo, principalmente no ambiente escolar vigente. Desse modo, nota-se que a pouca atenção dada ao transtorno, no que tange ao ambiente escolar, soma-se à falta de tratamento efetivo aos portadores da síndrome, contribuindo para a permanência da ignorância que permeia a sociedade.
É válido ressaltar, a priori, que o sistema de educação do país encontra dificuldades em incluir os alunos autistas, no que se refere ao aprendizado e realização de tarefas escolares. Isso ocorre devido a falta de informação dos professores, à respeito dos sintomas e tratamentos possíveis do transtorno, fazendo com que eles fiquem impossibilitados de agir em momentos de distração da criança, uma vez que não possuem formação necessária para lidar com tal entrave. Consoante a esse cenário, Uma pesquisa feita em 13 centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi), no Rio de Janeiro, revela que 48% dos autistas de 4 a 17 anos estão fora das salas de aula, corroborando o cenário exposto.
Outrossim, de acordo com Goethe, “não há nada mais assustador que a ignorância em ação.” Assim, percebe-se que o preconceito é marca da falta de elucidação informacional das pessoas, pois muitos autistas não são devidamente diagnosticados, e as famílias, inclusive, desconhecem a síndrome que o próprio filho possui. Nesse viés, nota-se que um tratamento efetivo ao portador poderia amenizar o transtorno, uma vez que diminuiria os problemas de comunicação gerados pelos sintomas do autismo. Entretanto, observa-se que o acompanhamento médico a esses pacientes ainda é falho, pois nem todos os pais possuem condições financeiras suficientes para realizar tal procedimento. Portanto, condições favoráveis devem ser viabilizadas pelo Estado brasileiro, com o fito de desfazer tal impasse médico e erradicar o problema abordado.
Portanto, fica claro que a falta de esclarecimento da população sobre o transtorno analisado, é o que ratifica a permanência do impasse. Desse modo, o Ministério da Educação deve organizar um curso preparatório para os docentes, contratando psquiatras e psicólogos para ministrar aulas aos professores sobre o comportamento dos autistas, buscando elucidá-los à respeito do assunto. Ademais, a Secretaria de Saúde deve planejar um convênio com creches e escolas públicas, levando atendimento médico aos alunos com suspeita da síndrome, para que o transtorno seja devidamente diagnosticado, buscando atender as necessidades do paciente e amenizar o sofrimento familiar.