Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/06/2018
Na atual conjuntura brasileira, apesar do inúmeras conquistas em âmbito social, ainda persistem problemas que precisam ser solucionados. Nesse sentido, destaca-se a problemática questão da inclusão de pessoas com autismo, uma síndrome que afeta as características físicas e psicológicas dos indivíduos portadores. Desse modo, essa minoria é vítima da negligência estatal, bem como do preconceito e discriminação praticada pela própria população civil.
A priori, o Governo Federal garante, por meio da Constituição de 1988, o direito igualitário para todos de ter acesso à educação, saúde, entre outras questões. No entanto, há um distanciamento entre lei e aplicação, e é mostrado, constantemente, nos noticiários brasileiros, o qual explicitam a falta de infraestrutura e profissionais capacitados nas escolas, por exemplo, para receber os indivíduos que apresentam autismo. Em vista disso, fica evidente a falta de direcionamento de recursos públicos a fim de incluir essa parcela da população, e isso prejudica tanto o recebimento desses estudantes especiais nos colégios quanto o desenvolvimento pessoal, profissional e emocional deles.
Em segundo plano, é incontestável o desrespeito aos portadores da doença, que, muitas vezes, são vítimas de brincadeiras maldosas ou são inferiorizados. Para exemplificar, é comum sofrerem discriminação por parte de colegas e de profissionais da educação, nas escolas. Diante disso, incluir não é só garantir que alguém esteja em um meio social com outras pessoas, mas também assegurar o respeito a integridade de cada cidadão, permitindo condições igualitárias para ampliação da cidadania. Nessa linha de raciocínio, o sociólogo Émile Durkheim defendia que a sociedade forma um corpo social, altamente coeso e que, para seu perfeito funcionamento, depende do funcionamento de todas as suas partes, ou seja, excluir um determinado grupo, prejudica não só aos seus integrantes, mas a toda população.
Portanto, medidas devem ser tomadas para garantir o pleno exercício da cidadania a essa minoria. Para isso, o Governo Federal, por meio de sua excessiva arrecadação de impostos, deve intensificar os investimentos públicos nas escolas, garantindo uma infraestrutura adequada, bem como cursos de qualificação aos profissionais da educação, com o intuito de saber lidar com as diferenças e garantir uma aprendizagem eficiente aos autistas. Ademais, faz-se necessário transformar a mentalidade da população e, para isso, o Ministério da Educação deve, através de profissionais capacitados, promover palestras e debates nos colégios, que retratem a importância do princípio da alteridade, da moral e da ética. Além do mais, o Governo Federal precisa utilizar da esfera midiática, mostrando propagandas que retratem o dia a dia dessas vítimas, com o objetivo de gerar empatia e respeito ao próximo.