Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/06/2018

Apesar dos avanços da legislação nacional acerca do reconhecimento e assistência às pessoas com espectro autista, o Brasil enfrenta dificuldades materiais e sociais no processo de inclusão desse grupo na sociedade. Desse modo, faz-se necessário analisar as causas que contribuem para a persistência dessa realidade no país.

Para Aristóteles, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Entretanto, apesar de, segundo dados da ONU, o Brasil ter mais de dois milhões de habitantes autistas, a atuação estatal tem sido insuficiente na garantia dos direitos desse grupo. Sem atendimento especializado que potencialize as habilidades comunicativas da população autista, além de pouca infraestrutura para que tais atividades ocorram, acabam por, direta e indiretamente, marginalizar o indivíduo da sociedade. Nesse sentido, o bullying escolar e o preconceito no mercado de trabalho sofrido por esses indivíduos evidenciam o exposto, e a inércia do governo agrava a mazela.

Ademais, tendo em vista que o diagnóstico da doença pode muitas vezes ser impreciso, aliado ao fato de que a questão é pouco explorada, a necessidade de pesquisas que melhorem os tratamentos e até busquem pelas causas, se faz necessária.

Somado a isso, outro fator responsável pelo desafio de inserção da pessoa autista é a falta de incentivo à sua entrada no mercado de trabalho. Haja vista que a ocupação profissional dinamiza a vida social, as oportunidades de emprego são de grande valor para a melhora da qualidade de vida deste grupo, pois proporcionam autonomia e a capacidade de atingir objetivos econômicos, sociais e psicológicos, como desenvolver níveis de utilidade e identidade, além de estabelecimento de relações humanas mais diversificadas. Por isso, além de leis que garantam a inclusão na praça de empregos, é necessário estimular as capacidades e desenvolver as habilidades existentes nas pessoas com essa deficiência pra que sejam exercitadas.

Infere-se, portanto, que para que sejam combatidos os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, há entraves que necessitam ser revertidos. Assim, cabe ao Poder Público fornecer formação complementar aos professores e pedagogos, por meio de palestras e cursos, de modo a prepará-los a ensinar crianças e jovens com autismo. Ademais, as universidades, financiadas pelo governo, devem produzir pesquisas sobre a doença, a fim de avançar no combate desta. Por fim, as emissoras de televisão, em parceria com as redes sociais, devem promover campanhas de abrangência nacional conscientizando acerca do autismo e da responsabilidade social da população de não discriminar essa minoria, mas sim, ajudá-la a exercer por completo sua cidadania.