Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/07/2018

Em 1943, Leo Kanner, psiquiatra austríaco e diretor de psiquiatria infantil do Jonhns Hopkins Hospital, publicou a obra “distúrbios Autísticos do Contato Afetivo” que descreveu o comportamento de 11 crianças autistas, sendo considerado o pioneiro no estudo de autismo no mundo. Nesse sentido, atualmente, apesar de todo os avanços no campo de estudo do autismo, ainda percebe-se obstáculos na inclusão dessas pessoas na sociedade brasileira. Dessa forma, é válido analisar o processo educacional e preconceito sofrido como fatores que influenciam nessa problemática.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (LDB) assegura o direito de uma criança autista ingressar em escola regular e obter um ensino de qualidade. Entretanto, a existência desse conjunto de leis que garantem o acesso a pessoas com autismo, não proporciona a total inclusão do deficiente no meio educacional. Isso ocorre, uma vez que a especialização dos professores e a adequação dos colégios para receber os autistas ainda não é uma realidade no cenário brasileiro. Para ilustrar, é útil apresentar o episódio ocorrido em São Paulo, onde a mãe Janine Sapora após descobrir que seu filho sofria do transtorno teve que tira-lo do colégio, pois recebeu uma notificação da instituição de ensino explicando-lhe que não estava preparada para inclui-lo. Consequentemente, há um distanciamento com a frase de Aristóteles na qual “a base da sociedade é a justiça’’, visto que os indivíduos mais vulneráveis e que necessitam da eficacia das leis não tem seus direitos assegurados.

Em segundo lugar, é fundamental pontuar que a discriminação existente na sociedade contra os autistas representa um entrave para o desenvolvimento de uma nação mais coesa. Nesse aspecto, o preconceito deriva da baixa informação da população sobre a síndrome, gerando atitudes segregacionistas e comportamentos maldosos como, por exemplo, forçar a fala de um autista o que é extremamente danoso ao indivíduo que sofre desse transtorno. Em consequência disso, essas práticas hostis acarretam obstáculos ainda maiores no processo de inclusão dos portadores de autismo no corpo social. Desse modo, observa-se uma contraposição por parte da sociedade com a frase do escritor alemão Franz Kafta, ‘‘a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito a dignidade humana’’, posto que a dignidade dos portadores da síndrome não é respeitada.

Tornam-se evidentes, portanto, os fatores que colaboram com a atual situação negativa do país. Ao Governo, cabe efetivar o cumprimento da lei, mediante cursos de capacitação de professores e reformas educacionais, além da industria cinematográfica, criar filmes que expõe a vida dos autista e seus obstáculos cotidianos, a fim de diminuir o preconceito existente e melhorar o processo de ensino.