Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 22/06/2018

No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, grande marco do realismo na literatura brasileira, Machado de Assis já retratava a discriminação sofrida por deficientes, quando o personagem principal da trama se apaixona por uma mulher “coxa”, porém não se casa como ela por preconceito. Atualmente, no que tange a Síndrome do Espectro Autista, essa discriminação também é verificada, e além do preconceito, é notório a desinformação sobre a doença, e a falta de profissionais na educação qualificados, o que entrava ainda mais a inclusão social desses indivíduos.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que, embora surgiram alguns avanços na área cientifica, pouco se sabe sobre essa doença, uma vez que a falta de informação gera uma alienação acerca do assunto, também se verifica o preconceito e a discriminação, e em decorrência disso dificulta ainda mais a inclusão desses cidadãos. Além disso, foi apenas em 1993 que a síndrome foi incluída à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde e no Brasil, somente em 2012 instituiu-se a Política Nacional de Proteção dos Direitos da pessoa com Espectro Autista, o que corrobora para a falta de conhecimento do assunto.

Outro fator existente, no que diz respeito a educação, é a falta de profissionais qualificados para atender esses alunos. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, “ O homem é um ser social, e necessita viver em sociedade para sua realização pessoal e busca da felicidade”. Nesse aspecto, a inclusão de pessoas com essa síndrome é de fundamental importância para o bem-estar social, claro que, através de uma educação de qualidade, com professores preparados, que possibilite o desenvolvimento da criança, é possível amenizar os sintomas da doença e formar adultos sociáveis e inseridos na sociedade.

Portanto, torna-se evidente, que medidas são necessárias para inserir esses indivíduos na sociedade e desenvolvê-los para o convívio. O Ministério da Educação, deve realizar cursos que viabilizem a capacitação de professores para trabalhar com esses alunos, realizando formações obrigatórias e orientando-os em todos os aspectos, a fim de torna-los qualificados para atender as crianças autistas, e assim conseguir inseri-las desde cedo em sociedade. Além disso, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover campanhas nas mídias brasileiras, expondo cartazes com informações pertinentes sobre o tema, com a finalidade de desmistificar essa doença e assim amenizar o preconceito acerca dela.