Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 22/06/2018
Saber que Bill Gates e Lionel Messi - duas pessoas bem sucedidas profissionalmente e famosas em âmbito mundial, são autistas, é motivo de surpresa para muitos. Esse espanto é causado pela escassez, ainda existente, de informações a respeito do assunto. Nesse contexto, para possibilitar a inclusão de pessoas com autismo na sociedade brasileira é necessário ampliar a disponibilidade de profissionais capacitados e utilizar o potencial midiático de influenciar padrões sociais.
Uma reportagem da revista espaço aberto, publicada pela Universidade de São Paulo, mostra que cerca de dois milhões de brasileiros possuem algum tipo de autismo. Nesse cenário, é preocupante que a oferta de profissionais devidamente instruídos para atender esse grupo seja insuficiente. A despeito disso, o Doutor Estevão Vadasz - especialista em psiquiatria infantil, revela que a maioria das escolas de medicina do país não possuem ensino sobre o autismo no curso de pediatria. Por meio desse exemplo, entende-se que a quantidade de médicos adequadamente preparados para realizar um diagnóstico precoce, e auxiliar as famílias no processo de inserção social dos indivíduos autistas ainda é pequena. Dessa forma, é importante que haja uma intervenção urgente dos órgãos cabíveis.
Alem disso, um outro embargo a ser vencido é a estigmatização dessa parte da população brasileira. No rompimento com esse paradigma, a mídia é um importante aliado, sendo as novelas, por exemplo, um recurso preponderante na formação da opinião do público. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, esses programas de televisão contribuíram para tornar o número de divórcios cinco vezes maior no Brasil, desde 1980, por conta de mudanças na perspectiva apresentada acerca do papel social da mulher. Essa pesquisa confirma o impacto do apelo midiático sobre os comportamentos do público, podendo levar a um novo entendimento das capacidades cognitivas e relacionais dos autistas. Destarte, é crucial que os autores repensem a função comunicativa de suas tramas
Frente aos argumentos expostos, é imprescindível que o Ministério da Saúde realize uma pesquisa em todos os municípios, com o propósito de entender a real necessidade de cada localidade, e aumente a oferta de especialistas de forma planejada. Ademais, o Conselho Federal de Medicina deve protocolar um pedido ao Poder Legislativo, a fim de implantar o ensino obrigatório das variáveis do autismo nos cursos de Pediatria, ante a seriedade de se diagnosticar esse transtorno ainda na infância, caso já existam sintomas. Outrossim, é essencial que a Secretaria Especial de Comunicação Social, junto às emissoras de televisão, incluam na programação personagens e atores autistas, mostrando que existem pessoas nesse espectro que são capazes de estabelecer laços profissionais e sociais. Assim, gradualmente a sociedade tornar-se-á mais preparada para a inclusão de pessoas com autismo.