Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 23/06/2018

Autismo: parte de nossa humanidade

Segundo o físico Albert Einstein, “Se você julgar um peixe por sua capacidade de escalar árvores, gastará toda sua vida acreditando que ele é estúpido”. Partindo desse pensamento, todo ser humano possui um papel ativo na sociedade e deve ser tratado de modo inclusivo para o desenvolvimento de seu potencial. O autismo é uma síndrome que requer cuidados especiais com o indivíduo como modos de abordagem e de estímulos, mas de modo algum o exclui de contribuições sociais e intelectuais, haja visto celebridades como Bill Gates e Issac Newton.

A priori, é preciso reconhecer que, somente no Brasil, temos quase 2 milhões de autistas, tornando provável a interação das pessoas com os portadores dessa condição. Os avanços, apenas recentes na história da civilização, como a inclusão do Autismo na lista de doenças internacionais pela Organização Mundial da Saúde e da criação de diretrizes de políticas públicas pela lei 12.764/12, apontam para a necessidade de esclarecimentos à população sobre os diversos graus da síndrome e, em cada caso, do comportamento típico apresentado como a tendência de isolamento social, sensibilidade auditiva, dificuldade da comunicação, contato visual e físico.

Outro aspecto relevante são as particularidades dos portadores do Transtorno do Espectro Autista que levam, muitas vezes, ao bullying e, portanto, à intensificação da dificuldade de inserção social do indivíduo. Iniciando-se na escola o tratamento inadequado desses cidadãos pode restringir a capacidade intelectual e, portanto, sua contribuição social. É de responsabilidade de todos a sensibilização para a construção de uma ponte emocional entre a pessoa autista e a sociedade, fundamentada no reconhecimento das diferenças humanas e no respeito à diversidade numa esfera em que a anomalia seja o preconceito e a doença seja a “outrofobia”. É certo que, então, o acolhimento da sociedade ameniza as dificuldades, principalmente dos cuidadores, muitas vezes, submetidos a uma supervisão constante, mas não se pode negar a necessidade de tratamento a ser dispensado a essas pessoas.

Dessa forma, pode-se reconhecer que o autismo participa da humanidade e que o desempenho do papel de cada um - pais, governo e sociedade - não trivializa os desafios agregados a esse transtorno. Assim, principalmente o Poder Público deve fomentar atividades destinadas à conciliação do tratamento e da aceitação por meio do preparo de grupos multidisciplinares formados por médicos, professores, fonoaudiólogos e de divulgação midiática intensiva para que se cumpram os direitos garantidos pela lei.