Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 17/06/2018

A novela " Amor à vida", transmitida na TV Globo em 2013, mostrou os dilemas vivenciados por Linda, uma mulher autista, causando impactos no público-alvo brasileiro  .Apesar das controvérsias, a trama abriu espaço para debates e questionamentos acerca da inclusão desse contingente no Brasil contemporâneo. Embora tenha se discutido a respeito da temática, ainda hoje há o distanciamento dos grupos sociais e de políticas públicas permanentes que assistam os autistas além da fase juvenil.

Convém ressaltar, de início, que o apoio das instituições sociais é fundamental para incluir o autista no meio social, haja vista que a principal barreira é a socialização do indivíduo- sintoma normal para quem apresenta o transtorno. Dessa forma, de acordo com o sociólogo francês, Émile Durkheim, a sociedade é como um corpo biológico e depende da ação conjunta das partes. Assim sendo, com  a ação deficitária  dos grupos sociais, o corpo entra em colapso.Logo, a diária luta familiar se torna ineficiente, tendo em vista que não recebe amparo de outros setores . Nesse viés, escolas que não aceitam a permanência de crianças que têm autismo ou  não apresentam profissionais qualificados para lidar com esses indivíduos fazem parte de uma prática cruel, que coloca em segundo plano um dos direitos essenciais do cidadão: fazer parte do corpo social.

Em segunda análise, fica cada vez mais difícil dar continuidade do tratamento ao autista após seu crescimento. Desse modo, consoante ao pensamento de Pierre Bourdie, o ser humano pertence a dois habitus, o primário e secundário, que são, respectivamente, família e  outros núcleos de formação .Nesse contexto, é impossível permanecer no habitus primário por toda a vida, já que todos precisam de contato social. Contudo, essa parece ser a realidade enfrentada pelos autistas, desprovidos de um aparato escolar e , muitas das vezes governamental, crescem a margem da sociedade. Consequentemente,  a entrada no mercado de trabalho e na universidade ainda é um aspecto limitado devido aos passos retrógrados e preconceituosos por aqueles que o rodeiam.

Urge, portanto, que medidas sejam feitas para incluir na sociedade pessoas que têm os transtorno do espectro autista. Com isso, cabe ao Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, investir em novos modelos educacionais e inclusivos para amparar o autista , por meio da qualificação de professores e profissionais da saúde, com o intuito de auxiliar a inclusão dessa massa e dar apoio ao núcleo familiar.Outrossim, a permanência dessa dinâmica é primordial para suprir as necessidades dessa parcela ainda quando forem adultos. Por conseguinte, o indivíduo autista poderá ser considerado como uma pessoa comum que necessita de cuidados e que pode vencer os percalços impostos por uma sociedade imóvel e doente.