Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 14/06/2018

Na série estadunidense “Atypical” é possível observar a dificuldade de Sam, um adolescente com Síndrome de Asperger, dentro do espectro autista, a se integrar à realidade que o cerca, visto que a interação social e comunicação não-verbal são atividades complicadas pelo seu quadro neurologicamente atípico. Fora da ficção, pessoas com autismo também encaram desafios na busca pela inclusão social no Brasil.

Conforme aponta a Revista Autismo, o autismo trata-se de uma síndrome que atinge cerca de 2 milhões de brasileiros. No mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o número de pessoas com esse transtorno é superior a 70 milhões, ou seja, uma a cada cem pessoas. No entanto, apesar da significativa incidência, só no ano de 1993 este passou a figurar na Classificação Internacional de Doenças da ONU.

Tal tardia inserção do autismo neste ranking impacta diretamente a inclusão de portadores da síndrome no Brasil e no mundo, uma vez que a discussão acerca do tema é recente e a síndrome pouco conhecida. Uma prova disto é o fato de que, ainda hoje, o diagnóstico do transtorno do espectro autista é impreciso, e sequer um exame genético é capaz de detectar com precisão sua incidência. Por isso, o ex-senador Flávio Hans afirma a urgência da implementação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo.

Posto isso, é imprescindível que o Governo Federal destine verba às universidades federais que, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), poderão desenvolver pesquisas na área, com o objetivo de ampliar o saber da medicina sobre o transtorno do espectro autista. Além disso, paralelamente, o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação deve realizar um ciclo de palestras a serem ministradas por profissionais da medicina e psicologia, nas escolas da rede pública de nível fundamental e médio, em Abril, mês do Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Dessa forma, a informação levada aos alunos pode evitar a discriminação de pessoas com autismo e incentivar a integração destas. Afinal, como dito pelo filósofo brasileiro Paulo Freire, “a inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”.